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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

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Qua | 13.12.17

Ser mãe não é fácil

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É maravilhoso, recompensador, o melhor desafio de todos mas não é fácil.

Ser mãe tem sido a maior aventura da minha vida.

Ser mãe testa todos os dias os meus limites físicos e psicológicos.

Ser mãe é estar preparada para, sem darmos por isso e por vontade própria, ficarmos sempre em segundo lugar, ou terceiro, ou quarto.

É ver no simples ato de beber um café ou almoçar com o namorado sozinha, o maior luxo do mundo.

É estar preparada para me arrastar cheia de sono pela casa, depois de noites sem dormir, sabendo que tenho seres pequeninos que dependem de mim.

É “ser obrigada” por mim própria, de um momento para o outro, a ser melhor pessoa, mais tolerante, mais empática, mais paciente, mais preocupada com o ambiente e com o mundo, mais sociável, mais gentil porque quero dar o melhor dos exemplos às minhas filhas e sei que elas serão muito o reflexo do que viverem na infância.

É ter que cozinhar praticamente todos os dias mesmo sendo a função doméstica de que menos gosto. É fazer papas caseiras, iogurtes, sopas sem sal, comida variada e saudável, bolos sem açúcar que não deixem de ser gostosos, bolachas caseiras e tornar-me especialista em comida saudável.

É passar de desorganizadíssima a um primor de organização, simplesmente porque de outra forma nem conseguiria sair de casa para ir trabalhar.

É inventar formas de ter vontade e paciência para brincar com as minhas filhas com qualidade, nem que seja 30 minutos ao fim do dia, para que o tempo que passo com elas durante a semana não seja uma sequência de banho, comida e cama.

É esforçar-me por fazer com elas os trabalhos manuais que vêm da escola, deixando-as ajudar e refreando a minha vontade de fazer eu para ficar “mais bonito”.

É ter a presença de espírito para ouvir as minhas filhas e resolver uma birra, mesmo antes dela começar, quando estou cansada, ansiosa ou simplesmente sem paciência.

É obriga-las a vestir o casaco mesmo quando estrebucham que não querem, arranjar estratégias criativas para comerem a sopa toda, e conversar seriamente com elas sobre os malefícios do açúcar para que não comam rebuçados, chupas e bolachas com creme.

É ceder de vez em quando e dar-lhes um bolo ou pipocas, fazendo um grande esforço para me convencer a mim própria que devemos ser equilibrados e um doce de vez em quando não lhes fará mal nenhum.

É aceitar que nem todos os dias somos os melhores pais do mundo mas que somos os melhores que conseguimos ser  e estar em paz com isso.

É controlarmos os nervos quando estão doentes e mantermo-nos calmos e alegres, mesmo depois de noites sem dormir.

É dar-lhes comida à boca e andar com eles ao colo até à casa de banho, mesmo quando têm mais do que idade para o fazer sozinhos, apenas porque percebemos que eles precisam de um carinho extra naquele dia.

É dizer-lhes que os adoramos, depois deles dizerem que não gostam de nós, mas que não vamos admitir alguns comportamentos menos adequados.

É pedir-lhes desculpa quando gritamos e dizer-lhes que gostamos muito deles mas também temos as nossas falhas e às vezes estamos demasiado cansados para agirmos melhor.

É esquecer-me de comer durante horas e horas.

É comer uma sopa e uma peça de fruta, por obrigação, só para me conseguir manter de pé para fazer o que for preciso fazer.


Ser mãe não é mesmo nada fácil.

Mas não trocava este desafio por nada. E fazia tudo de novo. É o melhor do mundo.

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