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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Seg | 14.03.16

A Lara tem 2 anos!

2anosLara

 

 

 

Há 2 anos começava a fase mais louca e fantástica da minha vida.

 

A Lara tinha nascido há quase um dia e eu fazia uma ideia muito pequenina do que era ser mãe.

 

Quando decidimos ter filhos eu não fazia ideia nenhuma de onde me estava a meter. Sabia que queria ser mãe, o que era já uma grande novidade na minha vida mas não fazia ideia do que isso significava.

 

Podia imaginar. E imaginava. E lia sobre isso. E comecei a ver vídeos, a ler blogues, a devorar livros sobre o assunto. Na teoria, sabia muito sobre partos, amamentação, o sono dos bebés, birras, educação e muitas outras coisas. Li muito e conversei muito sobre o assunto. Se ajudou? Com certeza. Ajudou-me muito a manter alguma calma ter conhecimento teórico sobre os diversos assuntos. Ajudou-me no parto, a ultrapassar as dificuldades da amamentação, nas cólicas, nas noites sem dormir, a encarar o fantasma da depressão pós parto. Eu sabia o que poderia acontecer e porquê.

 

Agora... na prática, o que conta mesmo é a intuição. As coisas raramente acontecem de uma forma linear e de acordo com o que desejamos. Por isso, a intuição é a única coisa de que nos podemos valer. Quando estamos "na real" o que lemos nos livros é mais difícil de aplicar. De facto, acho que nem nos lembramos bem de todas as técnicas que lemos para aplicar nas mais variadas situações. Pelo menos comigo foi assim.

 

De modo que, no hospital, eu mal sabia o que fazer. Não sabia como alimentar a Lara e nem sequer me ocorria que tinha de lhe mudar a fralda. Uma vez a enfermeira veio ver porque estava ela a chorar e estava com cocó até ao pescoço. Fiquei a olhar para aquele cocó preto muito surpresa, como se estivesse a ver uma substância alienígena qualquer.

 

No hospital, a Lara chorou sem parar durante quase todo o tempo. Às vezes uma mãe da cama ao lado pegava nela e acalmava-a. Eu agradecia. Eu também pegava nela mas não fazia ideia do que fazer.

 

Claramente dava para perceber que eu nunca tinha pegado num recém nascido. Mas estava disposta a aprender bem e rápido. Na próxima vez que sujou a fralda, sujou também a roupa toda e, a tremer como se estivesse a morrer de frio, mudei-lhe a roupa toda e  não lhe parti nenhum braço. Foi a primeira vitória.Este era o tipo de mãe que eu era.

 

Estranhamente, nunca entrei em pânico. Sempre estive calma e com a certeza de que ia correr tudo bem. Afinal era mãe e haveria de saber fazer tudo o que fosse necessário para cuidar da minha filha.

 

O meu namorado tinha o mesmo nível de experiência que eu. A mãe dele ajudou-nos bastante, ainda ajuda. Os meus sogros têm sido uma ajuda preciosa. E os meus pais, apesar de estarem longe também ajudam à sua maneira.

 

Mas quisemos ser nós a cuidar da Lara e a aprender a fazê-lo e, assim, fomos aprendendo a ser pais. Ainda estamos a aprender. E suspeitamos que vamos fazê-lo para sempre.

 

Mas aquilo para que não estava preparada era para a forma como eu própria ia mudar. Tornei-me muito mais calma e muito mais seletiva em relação às preocupações. O que antes era "um escândalo de preocupações" na minha cabeça, deixou de ser. Escolho muito bem aquilo com que me preocupo e aquilo com que gasto o meu tempo.Passei a sentir uma necessidade maior de escrever e por isso venho aqui quase todos os dias. Acho que tenho vontade de deixar as memórias em mais algum lado do que na minha cabeça. Até porque a minha cabeça é um cofre muito fraco e, passadas umas semanas, tudo se evapora misteriosamente.

 

Percebi, finalmente, o que é isso do amor incondicional. Gostar tanto de alguém que nunca conseguimos sentir outra coisa senão amor em todas as situações: quando ela sorri, quando nos dá beijinhos e abraços mas também quando faz birras, quando é desobediente, quando parte coisas, quando nos dá uns sopapos porque não quer dormir. Mesmo quando estou cansada, irritada e quando a Lara é desobediente e tenho que a repreender, mesmo quando falo com ela com impaciência porque não estou a conseguir fazer diferente, sinto que gosto dela mais do que de mim mesma. Depois sinto que isto é uma estratégia muito inteligente da natureza e não me importo nada porque é a melhor coisa do mundo.

 

Ser mãe é andar "à rasca" o resto da vida e estar feliz com isso. Parece-me uma espécie de tolice colorida e cheia de purpurinas mas, ainda assim, irresistível.E foi nesta situação que me vi colocada há dois anos e pareceu-me tão bem que vou repetir.

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