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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Ter | 13.10.15

A minha banda preferida ou sou um pouco paranóica

radiohead

 

 

Radiohead tornou-se, a determinada altura, a minha banda preferida.É uma coisa física, espiritual, maníaca, não sei... Oiço as música e tudo o que eu sou revela-se ali, naqueles sons estranhos e perfeitos. Se pudesse desfiar a minha alma e transformá-la em algo "revelável" poderia transformá-la numa playlist com músicas de Radiohead.

 

De modo que, quando soube que vinham a Lisboa (tinha uns 19 anos na altura), decidi que ia vê-los. Em primeira fila.

 

Os bilhetes estavam esgotados há imenso tempo e existiam centenas de maníacos iguais a mim quase a dormir à porta do Coliseu, mas para mim isso não significava nada. Eu sabia que ia. Não sei como nem porquê mas sentia com todo o meu ser que ia ouvi-los ao vivo. Desejava-o com todas as minhas forças e a minha mente não conseguia conceber uma realidade diferente.

 

Lá fui com a minha prima Margarida.A fila era enorme logo de manhã. Não vi um português.

 

Vi indianos, japoneses e montes de americanos que estavam hospedados em frente ao coliseu. Senti-me logo em casa. Arrisco dizer que nunca, em toda a minha vida, me senti tão em casa como entre aquelas pessoas. Será o que uma pessoa sente junto da claque do seu clube preferido?

 

Falei com as senhoras da bilheteira e com todas as pessoas da fila para saber se teriam bilhetes a mais e para dar conhecimento de que estaria (eu e a minha prima) desesperada por um bilhete. Em poucas horas já todos nos conheciam e desejavam sorte.

 

Naquele dia tornei-me (por magia) fluentíssima em inglês.Ao final do dia, antes do concerto, conseguimos 2 bilhetes de duas desistências. Quase demos um beijo na boca à senhora da bilheteira. Juro que ela ficou feliz quando nos vendeu os bilhetes. 20 euros cada um na altura. Uma pechincha. Teria dado todo o meu dinheiro por aquele concerto. Na verdade, aquele era praticamente metade de todo o meu dinheiro.

 

Não conseguimos ficar à frente. Fomos parar à galeria o que era muito insatisfatório.

 

Não dei o tempo por perdido porque consegui estudar o ambiente e elaborar uma estratégia.

 

No dia seguinte (não me perguntem como porque não me lembro, mas sei que não envolve nada de pernicioso) conseguimos mais dois bilhetes para o segundo concerto.

 

Nesse dia fui muito mais cedo e, quando as portas abriram, corri como se a minha vida dependesse disso.

 

Algures durante o concerto, estava colada às grades, a chorar copiosamente como uma maluquinha. Aquele era o momento mais emocionante, mais importante e mais intenso de toda a minha vida. E continuou a ser por muitos anos, até ao momento em que a minha filha deu uma gargalhada pela primeira vez, e aí passou para segundo lugar.

 

É escusado dizer que todo o concerto foi magnífico, incomparável com qualquer outro concerto a que já assisti. Foi maravilhoso! Poderia tentar descrever toda a genialidade daqueles homens mas seria sempre uma descrição pobre e muito insuficiente. Quem conhece sabe do que eu estou a falar. Quem não conhece... não sei.

 

Entretanto, com a pachorra que tinha aos 19 anos, fiquei à espera deles junto de um grupo pequeno de pessoas.A determinada altura eles saíram, deram autógrafos, e o Thom Yorke agarrou-me na mão naquilo que deveria ser um aperto de mão. Acontece que eu fiquei vidrada a olhar para ele e ficámos naquilo uns demorados segundos. Acho que não lhe parti nenhum osso mas afinfei-me à mão pequenina dele enquanto pude. Epá estava a tocar num génio vivo, quis prolongar o momento o máximo possível.

 

Ele deixou-me mesmo muito impressionada. E o Johnny também. E os outros. Simpáticos, nada vedetas, tão normais, tão simples, tão sem merdas, tão como qualquer génio deve ser.

 

Não bebi uma gota de álcool nesses dias, quem diz álcool diz qualquer outro aditivo, nada. No entanto foi a maior "moca" da minha vida.E foi isso. Foi bem agradável.

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