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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

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Qui | 26.09.19

A verdadeira questão que se coloca em relação à "polémica" música do Valete BFF

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Vi hoje, pela primeira vez, o "polémico" vídeo (da música BFF) do rapper Valete. A letra da música e o vídeo retratam uma situação de adultério e de violência, o que gerou uma onda de indignação nas Redes Sociais.

As opiniões dividem-se entre os que consideram o vídeo extremamente ofensivo e os que o consideram apenas uma obra artística que, como tal, não deve sofrer nenhum tipo de censura.

A discussão tem-se centrado à volta dos limites da liberdade de expressão dos artistas, tendo em consideração a sua influência em relação a milhões de pessoas, entre as quais se encontram adolescentes e pré adolescentes considerados por alguns "perigosamente influenciáveis".

Eu não vou opinar sobre a pertinência desta música e deste vídeo por dois motivos: em primeiro lugar porque já muitas considerações inteligentes e bem fundamentadas foram escritas por essa Internet fora. Pelo que li, são considerações de pessoas com muito mais conhecimento do que eu em relação à música e às questões de responsabilidade ética e social que a rodeiam. Li opiniões favoráveis e desfavoráveis a esta música e a este videoclipe com igual mérito argumentativo.

Em segundo lugar, não posso opinar porque não consegui formular uma opinião sobre a pertinência do vídeo e da música. Também não me apetece muito. O que posso dizer é que o vídeo e a música não me chocaram nem me causaram, assim de repente, nenhuma revolta ou indignação imediatas. Nem menos imediatas. Em relação a tudo o que já vi em música e em cinema, nem achei este vídeo particularmente chocante. Esta música, ao contrário de outras do Valete, também não me causou nenhuma sensação especial, nem boa nem menos boa. É só isto.

Todavia, ao ler sobre toda esta polémica, fiquei com outras questões a pulular na minha mente: 

- Que tal educar os jovens (e muitos adultos também) para desenvolverem um pensamento mais crítico e menos permeável a influências externas, sejam elas quais forem? Por exemplo, a mim chateiam-me mais programas como a Casa dos Segredos (claro que isto é muito pessoal).

- Que tal os pais e as escolas colocarem o foco da educação no desenvolvimento de mentes capazes de construir ideias baseadas em valores humanistas, altruístas e éticos em vez de focarem os seus esforços na preparação de massas trabalhadoras eficientes para alimentar ainda mais um sistema de produção de massa que talvez não seja o mais interessante para a humanidade e o mundo?

- Não seria o caso de polémicas destas não interessarem nada se os miúdos ( e muitos adultos) fossem mais esclarecidos e menos influenciáveis?

- E se o espaço mental das pessoas fosse ocupado a pensar em soluções para os problemas em vez de estar livre e solto para ser ocupado na sua maior parte com letras de músicas, palavras dos outros, programas de televisão e atos de artísticas e influênciadores digitais?

- Será que a questão mais importante é mesmo retirar da frente das pessoas tudo o que as possa influenciar negativamente? Não será mais eficiente educar para um processamento adequado da informação?

E se tentassemos fazer com que a influência fosse trocada pela inspiração e com que os nossos filhos tivessem as ferramentas necessárias para saberem processar, da melhor forma possível, toda a informação que lhes chega?

Ficam as questões. Retóricas.

2 comentários

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    Anónimo 29.09.2019

    👏
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