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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Sex | 21.05.21

Afinal havia outro... Fogão.

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Estava no festival sudoeste, numa fase boa da noite. Foi numa edição antiga do Festival, daquelas onde ainda não existia publicidade e brindes a cada esquina. O clima estava perfeito, a noite limpa e a mente exatamente como se quer num festival de música de verão. Era bom.

O fogão a gás tinha avariado, estava partido… não funcionava, ou lá o que era. Não me interessava muito... Naquela altura não me interessava muito comer.

Estávamos com alguns amigos dele a ver o concerto de Franz Ferdinand. De repente, ele desapareceu. “Foi buscar o outro fogão.”, disse o Zé.
 
O fogão? Qual fogão?

Na minha mente, provavelmente já pouco sóbria, passaram todo o tipo de filmes. Estava a vê-lo ali, um pouco mais atrás, um pouco mais à frente, com uma rapariga qualquer. Olhei para um lado, para o outro, e a minha mente mandou-me parar. Pensei durante 3 segundos e saí dali.

Estava furiosa. Furiosa. A minha mente parecia delirar febrilmente com os dramas que concebia, alimentados a ciúmes doentios.

Vestida com uma saia preta fluida, um top finíssimo e com uns sapatos pretos de salto alto, percorri, sem destino, o solo de terra seca e poeirenta. A determinada, um grupo de rapazes meteu-se comigo, com decência e cuidado. Não posso jurar, mas pareceram genuinamente curiosos com a minha indumentária pouco adequada a um festival de música. Despachei-os rapidamente com alguma rispidez. Estava mesmo muito mal-humorada.

Até que ouvi a música.

Sentei-me num monte de terra, com o palco à minha frente. E ouvi, pela primeira vez, Life on Mars, pelos Divine Comedy, na versão de Yann Tiersen.
Tudo o que existia à minha volta, desapareceu. Esfumaram-se as pessoas, as barracas, os cheiros, as vozes e os quilos de terra em forma de pó.  

A tela da minha realidade encheu-me de uma cor cintilante e dourada sobre o fundo de uma noite de verão perfeita. Era só eu e aquela música.
E ter ido ali, mesmo de saltos altos e roupa estranha, fez todo o sentido. Estava tudo exatamente como devia estar.

Quando voltei para junto das outras pessoa e vi o meu namorado outra vez, nem me lembrava do que me tinha feito sair, furiosa, do concerto de Franz Ferdinand.

“Eu? Não te vi e fui dar uma volta e ver os outros concertos.”, disse eu, sorridente e bem-disposta.

Mais tarde, num canto da tenda, estava o outro fogão.

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