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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Qui | 28.01.21

Como acabei com os gritos e com o vício na televisão

 

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Os gritos eram meus pelo que, em princípio, não deveria ser difícil acabar com eles. Bastava que deixasse de exprimir a minha exaltação gritando. Mas não é tão simples assim.

Na terceira semana em teletrabalho, em casa, com três filhos pequenos, dei por mim com os nervos todos escangalhados.

O facto é que passava boa tarde do dia a gritar com os miúdos, com os miúdos agarrados a mim durante as reuniões e sempre com a sensação de manta curta, sem conseguir fazer nada bem.

Em vez de brincarem uns com os outros, os meus filhos passavam o dia a brigar, a televisão estava sempre ligada e a hora de dormir era cada vez mais prolongada e difícil.

O Eduardo não tem feito absolutamente nada das aulas da escola, a Maria pouco tem feito e a Lara, que já está no primeiro ano, tem tido as aulas sozinha mas, claramente, precisa que alguém esteja perto dela para ajudar, seja a voltar a entrar na sala de aula virtual, seja a pedir à professora para explicar melhor um exercício ou esperar um pouco que ela o acabe. A Lara, ainda assim, tem sido a que tem tido mais apoio da nossa parte, pelo menos com os trabalhos para casa.

Ao mesmo tempo, nas poucas vezes que espreito os grupos da escola no Facebook, não consigo deixar de me sentir frustrada por ver tantos miúdos a fazer atividades giras e educativas, enquanto os meus ficam em frente à televisão boa parte do dia. 

Enfim... não me tenho sentido a melhor mãe do mundo.

No trabalho, as coisas correm bem porque tenho a sorte de ter um ambiente fantástico, com uma gestão do pessoal muito humana e eficiente. Tenho a possibilidade de trabalhar mais ao fim da tarde e à noite, quando o Milton acaba o trabalho e pode ficar com os miúdos. Mas existem reuniões durante o dia às quais tento assistir sempre que possível, porque é uma oportunidade de colocar dúvidas e despachar muitas questões em conjunto.

Mesmo assim, tem sido mesmo desafiante porque a sensação de estar a falhar em várias frentes é constante.

Rapidamente percebi que era preciso acabar com o caos cá em casa. Na verdade sabemos como o fazer, mas ter o discernimento necessário  para isso é outra história.

Então, num destes dias de manhã, falei com os meus filhos todos e expliquei que temos andado um pouco desorientados com esta situação de trabalhar e estudar em casa, todos juntos, todos os dias. Expliquei porque é que os pais precisavam de trabalhar e que era importante a colaboração deles.

Claro que já lhes tinha explicado tudo isto, mas imprimi a esta conversa um tom especialmente sério e assertivo.

Depois, disse-lhes que não ia haver mais televisão durante todo o dia, tão pouco poderiam escolher o que ver durante a semana. No fim de semana, poderiam escolher o que quisessem ver na televisão, num horário estipulado pelos pais.

Durante a semana seria inevitável haver televisão, temos uma casa pequena e a lara precisa de silêncio para assistir às ulas na sala, o único sítio onde temos net como deve de ser.

Tem resultado muito bem.

Logo no primeiro dia ficaram todos a brincar juntos e nem se queixaram. Têm brigado menos, aproveitam mais o facto de serem 3 e poderem brincar juntos, e todos andamos mais calmos cá por casa.

Não vou dizer que isto é assim todos os dias. Mas sei que depende mais dos adultos e da nossa capacidade de foco do que das crianças. Eles, claramente, precisam de regras e de perceber que está tudo controlado. Precisam, também, de momentos de autonomia e criatividade, mas é preciso saber quais os momentos certos para seguir regras e quais os momentos certos para fazer simplesmente o que lhes apetece.

É um desafio diário que vale muito a pena. 

Por aí, como vão as coisas?

Agradeço qualquer conselho, dica ou sugestão para lidar com esta situação peculiar. 

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