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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Qui | 13.07.17

Como convencer uma criança a comer papas de aveia... versão longa


As manhãs são sempre uma certa loucura cá em casa.


Ainda não consigo acordar cheia de genica e vontade e o humor não é o melhor antes das 8h00 da manhã.

Eu e a Maria comemos papas de aveia ao mesmo tempo (uma colher para ela e outra para mim) e quando chega a vez da Lara tomar o pequeno-almoço, começa o drama.


Assim que lhe apresento as papas de aveia começa a choramingar e a dizer que quer outra coisa. Não sei se é efeito da segunda feira, uma vez que no fim de semana é tudo muito mais descontraído e o pequeno almoço muito mais apelativo: panquecas, iogurte, fruta, torradinhas, ovos mexidos… enfim, o que quisermos. No fim de semana perguntamos à Lara o que quer e, se pudermos e tivermos os ingredientes em casa, fazemos-lhe a vontade.

 

Provavelmente à segunda-feira ela espera a mesma coisa.


Então, nesta segunda-feira, já com ela a começar a gritar perante a possibilidade de ter que comer papas de aveia com fruta (o que ela sempre adorou) decidi, depois de alguma impaciência, usar de toda a honestidade com ela e disse-lhe qualquer coisa assim:


“Filha querida, percebo perfeitamente que não te apeteça comer papas de aveia. A mim também não me apetece. Na verdade o que mais gostava de comer ao pequeno-almoço, todos os dias, era bolo, ou mousse de chocolate, ou arroz-doce, pudins vários, bavaroise, tarte de natas ou tarte de maçã. Tudo acompanhado por uma bela sangria.


Mas não é possível. Porque se comesse só o que me apetecia, haveria de passar grande parte do dia cheia de dores de barriga e muito mal- disposta. Por uns minutos de alegria, teria muitas horas menos boas.
Comendo papas de aveia de manhã, posso não ter o pequeno-almoço mais brilhante do mundo, mas terei um resto de dia cheio de energia, alegria e vitalidade.

Também seria bom ter um cozinheiro particular que pudesse brindar-nos com pratos bons e saudáveis todos os dias. Um profissional capaz de transformar cada prato numa obra de arte, capaz de nos fazer adorar uma sopa de legumes ou um prato cheio de coisas verdes. Mas a mamã e o papá não estão a modos de poder contratar um cozinheiro (por enquanto só o podemos fazer mais ou menos uma vez por mês e temos que nos deslocar de casa).

Explico-lhe, ainda, que ela pode vir a ser uma empresária de sucesso ou ter um emprego muito bem pago (se for esse o seu desejo) e contratar um cozinheiro mais tarde.

Para já, vamos ter papas de aveia com frequência, e mais vale despacharmos o assunto com alegria e boa disposição. :D

Aproveitei para explicar que o papá e a mamã gostam muito dela e adoram cuidar dela, mas também têm que cozinhar, tratar de si próprios, tratar da Maria, arrumar a casa, entre muitas outras coisas. Se a Lara fizer uma birra para comer a todas as refeições, vai tornar o nosso dia muito mais difícil o que condicionará o tempo e disposição para brincar com ela mais tarde.

Bom… acho que resultou porque ela acabou por comer a papa toda, com uma cara desolada, mas comeu.

Confesso que tenho andado mesmo muito cansada e sem paciência para grandes psicologias com a Lara mas... pelo menos hoje existiu uma explicação real. Com 3 anos, julgo que já é capaz de perceber a maior parte das coisas que fazem parte da nossa rotina.

Mesmo assim, fiquei um bocadinho apreensiva depois de a ver correr para o colo da senhora lá na creche e pedir-lhe mimos.  Enfim… a culpa a espreitar outra vez.

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