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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Qui | 30.07.20

Cor de pele

IMG_7169.jpg


Há uns tempos a Lara pediu-me um lápis cor de pele para pintar o desenho de uma menina num livro de colorir.

Fiquei bastante surpreendida porque, tanto quanto me podia lembrar, nunca tinha ouvido tal coisa. Nem em criança, nem em adulta.

Expliquei-lhe porque não era correto chamar cor de pele a um lápis.

Hoje foi a vez da Maria.

Pega num lápis bege e refere-se a ele como cor de pele.

"Maria, esse lápis não é cor de pele."

Diz ela: "Claro que é."

Pego num lápis azul e pergunto-lhe se aquele lápis é cor de flor (apercebo-me agora que terei que ter outra conversa sobre o cor de rosa e o cor de laranja).

A Maria olha para mim com um ar meio intrigado, meio aborrecido e eu continuo a explicar-lhe que existem lápis azuis, roxos, vermelhos, amarelos, pretos, castanhos, verdes, beges, etc. 

Existem flores de várias cores por isso não dizemos que um lápis é cor de flor porque isso não seria verdadeiro. Da mesma forma, existem peles de várias cores (dei o exemplo de várias pessoas que conhecemos, entre amigos e familiares), por isso seria incorreto chamar cor de pele a uma única cor.

Acho que ela percebeu.

3 comentários

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    Nala 30.07.2020

    (Vou só rematar um bocadinho a coisa que me pareceu um bocado "seca"): O que quero dizer com isto é que se os valores estão lá, e eu acredito que estão, não são estas coisinhas da infância que estragarão a semente. Quando era miúda fazia-me sentido dizer que era o lápis "cor da pele" porque era a cor que me lembrava a minha própria pele não porque me ensinavam que era assim ou porque fazia distinção das diferentes peles.
    Agiste em conformidade com aquilo em que acreditas e com os valores que queres passar aos teus filhos e é isso que é importante.
    (Acho que agora levei o raciocínio até ao fim). Beijinhos
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    Purpurina 30.07.2020

    Olá Nala, muito obrigada pelo teu comentário. Fico mesmo feliz quando consigo gerar algum diálogo neste espaço. Concordo contigo e não acho que sejam estas coisas que transformam uma criança em alguém intolerante. As minhas filhas referiam-se ao lápis exatamente com essa naturalidade de que falas. E acredito que quando eras criança esta questão nem era muito colocada. Em criança nunca me lembro de me falarem de racismo ou tolerância. Se calhar até falaram, mas não me lembro.
    Mas, se calhar por nunca ter ouvido a expressão e ela me fazer pouco sentido, senti mesmo uma grande necessidade de lhes explicar que não existia uma única cor de pele. Da mesma maneira sempre lhes comprei bonecas de várias cores e sempre lhes li livros onde se falava de todos os tipos de família. Já lhes expliquei que existem meninos com dois pais, duas mães e outras.
    Estas coisas nunca me foram explicadas cedo (até porque os meus pais não seria muito tolerantes a algumas diferenças) e nem por isso me tornei intolerante, mas faz-me tanta confusão a discriminação que é algo que quero trazer muito cedo para a educação dos miúdos. Já noutras coisas falho redondamente. Um beijinho
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