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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Qui | 26.03.20

Diário de quarentena voluntária #3

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Na segunda semana de quarentena, as rotinas tendem a estabilizar.

No trabalho está tudo mais calmo e eu e o Milton já conseguimos definir um horário fixo para trabalharmos os dois de casa. Agora, a prioridade é arranjar forma de manter uma rotina de "escola em casa" com a Lara e a Maria.

Não está fácil. Sou uma professora exigente e impaciente. Claramente não tenho qualquer vocação para o ensino. Não é uma novidade. :) O que vale é que o Milton divide também esta tarefa comigo. Entretanto ando a explorar umas ideias do Pinterest para tentar fazer isto de uma forma mais divertida.

Se ainda não consigo por as miúdas a escrever poemas, estou a transformá-las numas arrumadeiras super eficazes. Arrumam um quarto caótico num instante, desde que lhe peça para o fazerem antes do lanche (que parece será  sua altura favorita do dia).

Passar mais tempo com os filhos tem sido o bónus disto tudo. Não posso dizer que não tenha momentos de tensão e que seja tudo um mar de rosas. Está longe disso. Mas também não está a ser nenhum drama e, sinceramente, é em tudo muito semelhante ao que já era. A única diferença é que passamos muito mais tempo juntos. 

O Eduardo coloca-nos a fazer maratonas pela casa, a tentar impedir que ele suba para cima de mesas, de móveis e de tudo o que conseguir. Neste momento está com uma fixação por auriculares, comandos de televisão e telemóveis. Também gosta de colocar coisas no lixo ou na banheira. 

A Lara está sempre a inventar coisas novas para se entreter a si, aos irmãos e aos pais. A rapariga tem uma criatividade sem fim e um sentido de humor pelo qual me sinto grata todos os dias. A miúda é naturalmente feliz.

A Maria está muito mais calminha e fofa. Está-se a consolar em casa com a família toda junta. Acho que é capaz de ser a que está a gostar mais disto tudo. Está muito mais atinada em geral.

Não entendo muito bem esta preocupação de ter os filhos em casa. Não sei. Se calhar ainda vou perceber. Mas estou a trabalhar, o Milton também. Fazemos turnos em casa para trabalhar e, ao mesmo tempo, estamos com os 3 miúdos. Num T2. É desafiante mas não diria preocupante. Eu estou a gostar.

Até estou a gostar de trabalhar de casa. Nunca pensei que fosse possível mas estou a gostar de estar por aqui. Estou a habituar-me rapidamente a isto.

Estou a ficar obcecada com o minimalismo. Estar em casa com toda a gente obriga-me a focar no que é essencial e isso serve para tudo: comida, roupa, atividades, ações e pensamentos. Tenho percebido melhor o que é que é mesmo importante para mim e colocado de lado tudo o resto.

Estou a passar cada vez menos tempo em Redes Sociais e produzo muito mais informação do que aquela que consumo.

Não tenho visto muita televisão mas tenho lido mais.

Tenho feito Yoga todos os dias e cá em casa comemos todos melhor. Tenho tido muito empenho nisto.

Mudámos a sala para fazermos espaço para os miúdos brincarem mais à vontade e, sempre que podemos e o tempo merece, vou um bocadinho à varanda comum do prédio com uma das miúdas. Já pensei em ir até ao jardim que fica a uns metros de casa mas, por dever cívico, por responsabilidade social e por ter capacidade de discernimento decidi não ir. Quando tenho mais vontade, vejo as notícias sobre Itália e Espanha, vejo que temos médicos a lutar pela vida nos cuidados intensivos e decido fazer a minha parte, que é a mais simples de todas, como deve de ser. Se não fosse pelos meus filhos, seria por todos os homens e mulheres que estão a arriscar a sua vida por todos nós.

E assim tem sido por aqui.

E por aí? Essa quarentena faz-se bem?

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