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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 10.05.18

É mesmo preciso um psicólogo?!!!!

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Hoje queria falar de um tema que me anda a deixar um bocadinho apreensiva.

Pertenço a alguns grupos de mães no Facebook, grupos esses que me têm ajudado a refletir em diversas situações com que me vou deparando como mãe.

Já coloquei várias questões nesses grupos e também vou respondendo a outras mães com base na minha experiência e naquilo que acredito que pode ser útil para outras pessoas. 

Acredito muito que a troca de experiências e de conhecimentos entre mães pode ser uma preciosa ajuda na educação dos filhos e na resolução de certas questões que acabam por ser comuns a todas as crianças: alimentação, sono, birras, educação, escola, etc.

Claro que não devemos ir ali para que nos digam o que fazer mas para nos ajudarem a relativizar as questões com base na experiência de outras pessoas que passaram pelo mesmo. Pelo menos comigo é assim.

Uma das questões que mais preocupa as mães e que mais se discute nestes grupos são as birras das crianças pequenas. Discutem-se comportamentos que não são simpáticos mas que, de alguma forma, fazem parte do crescimento das crianças. Claro que há casos e casos, uns mais graves que outros, e que os comportamentos desafiantes são sinónimo de crescimento mas também de chamada de atenção para algo que não está bem com as crianças. 

Tenho reparado num fenómeno curioso que surge sempre que alguma mãe descreve uma situação de crise de comportamento dos filhos. A maior parte das mães que responde aconselha a procurar um psicólogo. A mim já me indicaram que procurasse um neurologista com urgência. Isto preocupa-me mais que as birras das crianças.

No meu caso descrevi a situação em que a minha filha de 4 anos, acordava a meio da noite a gritar e a chorar, demorando horas a acalmar-se e fazendo birras por tudo e por nada. Também se queixava de dores. Entretanto a situação está resolvida e controlada de acordo com métodos tradicionais: atenção, carinho e muita calma. Claro que também consultamos um médico por causa das dores de ouvidos mas psicólogo? Não nos parece caso para isso.

Faz-me confusão a facilidade com que as mães aconselham outras a procurar psicólogos com urgência quando os miúdos, a maior parte das vezes numa fase de grandes mudanças na sua vida (como o nascimento de um irmão ou uma mudança de escola), estão a ter comportamentos de chamadas de atenção que são normais e expectáveis nessa fase. 

Não quero julgar ninguém, não me interpretem mal. Há casos em que é mesmo necessário procurar ajuda. Eu própria já procurei vários psicólogos por não conseguir lidar com algumas situações na minha vida. Acabei por desistir porque, no meu caso, percebi que só a minha vontade de agir e mudar realmente podem ajudar-me. Pelo menos nunca nenhum psicólogo conseguiu ajudar-me mais do que eu própria.

A questão que se me coloca é que parece que por qualquer coisa se procura um psicólogo para uma criança. Intuitivamente isso não me parece muito bem. Um psicólogo pode sempre ajudar os pais a lidar melhor com as birras das crianças mas não vai acabar com elas precisamente porque são normais e expectáveis. A mudança tem que ocorrer nos pais e na forma como lidamos com as situações desafiantes (volto a referir que depende muito das situações).

No meu caso, achei completamente despropositado aconselharem a procurar um psicólogo porque a minha filha acordava de noite a chorar e a gritar. Ou aconselharem outra mãe a procurar um psicólogo porque o filho chora para ir para a escola ou chama a atenção mais vezes por ter um irmão bebé. 

Cada pessoa sabe de si e deve procurar toda a ajuda que achar necessária mas não estaremos a fazer tempestades em copos de água? Não estaremos a dramatizar demais situações completamente normais como as birras das crianças pequenas? É mesmo possível que existam assim tantas crianças a precisar de psicólogos? Ou será que os pais é que devem descontrair um pouco mais e reforçar a atenção diária que dão aos filhos (sendo que atenção deve vir sempre acompanhada de muito amor e limites claros).

Eu não sei. Tenho mais questões que respostas. Mas, cá em casa, apesar de muitas vezes me sentir a desesperar com as chamadas de atenção das minhas filhas acredito que são fases normais com as quais os pais devem tentar lidar da melhor forma possível antes de colocar essa responsabilidade nas mãos de psicólogos.

Continuo a achar os grupos de mães excelentes e muito úteis mas, quando vou colocar questões, estou mais à espera que me falem do seu caso pessoal e me digam o que fizeram em casa com os seus filhos do que me digam para ir a um psicólogo com urgência.

Digo eu, que ainda acredito na educação à moda antiga (sem gritos e palmadas claro).

2 comentários

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    Purpurina 11.05.2018

    Olá, muito obrigado pelo seu comentário e por ter entendido o sentido real das minhas palavras. :) É mesmo isso que quero dizer: apesar de, na maior parte do tempo, andar sem saber bem o que estou a fazer, estou convencida que é com amor, diálogo e muita atenção que se resolvem a maior parte das birras e outros problemas que possam surgir. Não há nenhum psicólogo que possa vir a substituir isso. O que não impede, claro, que existam situações em que é indispensável e de todo o valor a ajuda de um psicólogo. Mas um psicólogo não nos vai resolver os problemas todos, principalmente se não fizermos uma reflexão sobre o que não está a funcionar no seio da própria família. Falo por mim, que vejo que as minhas filhas ficam muito mais agitadas e desafiantes quando eu não estou bem ou não lhes dou a atenção que precisam. Muitas vezes as soluções estão no interior e não no exterior.
    E os nossos filhos vão precisar de nós e apresentar-nos desafios a vida toda. É indispensável encontrar uma forma de lidar com os desafios sempre. Com ou sem psicólogo.
    :)
    Agradeço-lhe imenso o seu testemunho de mãe de dois adolescentes. Ao ler o seu comentário sinto que talvez esteja no caminho certo para educar os meus filhos com mais acertos que erros (o tempo o dirá).
    Um beijinho
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