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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Ter | 17.04.18

E quando os miúdos de 4 anos acordam a meio da noite aos gritos?!

 

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Penso que será uma situação mais ou menos comum que acontece a todas as crianças uma vez ou outra. 

Pelo que vejo nos testemunhos de outras mães, os motivos também podem ser variadíssimos: pesadelos, dores, terrores noturnos, ansiedade, chamadas de atenção e até efeitos secundários de alguns medicamentos.

Vou falar da minha experiência, do que acontece cá em casa e da forma como estamos a resolver a questão, mas reforço que cada situação tem as suas particularidades e estas coisas não se devem generalizar. Em certos casos (principalmente nos de repetição) procurar a opinião e ajuda de um pediatra é sempre algo a a fazer.

Então vamos ao que se tem passado por aqui:

Há umas noites atrás a Lara acordou a meio da noite a chorar e a gritar. Começou por dizer que lhe doía um ouvido e continuou muito nervosa, a gritar e a chorar cada vez mais durante imenso tempo, muito mais de 15 minutos garantidamente. Nós tentámos ajudar como podíamos, falando com ela e tentando abraça-la e acalma-la mas nada resultava. Por fim, só nos restava ficar ali a esperar que passasse por si.

Entretanto demos-lhe remédio para as dores (xarope) e colocámos desenhos animados. Ainda fizemos um lanchinho de bolachas e chá com mel logo que a Lara se acalmou (isto pelas 3h00 da manhã). Entre a Lara ter acordado e voltado a dormir passaram-se umas duas horas. 

Não era a primeira vez que a Lara acordava a meio da noite a chorar. Já tinha acontecido antes e a queixa começava por ser dores de ouvidos. Entretanto ela vai dizendo que tem dores noutros sítios e começa a chorar por tudo e mais alguma coisa, desde o tapete não estar onde ela quer, ter um cabelo na cara ou não encontrar determinado boneco. Também começa a dizer que tem um bichinho no ouvido ou que tem medo de bichos ou que tem medo de fazer chichi na cama e grita imenso por causa disso. 

Desta vez a diferença foi no tempo que levou a acalmar-se e no estado de nervos em que se encontrava. Ela só gritava e chorava imenso sem a conseguirmos consolar de forma nenhuma. Já estávamos nós também a ficar nervosos, para além de muito cansados. Ainda por cima com a Maria no quarto a acordar de tempos a tempos com tanto barulho.

No dia seguinte, para além de ter comentado em grupos de mães esta situação, na esperança de ter o testemunho e alguma dica de alguém que tivesse passado por algo semelhante, eu e o Milton começámos a pensar em possíveis causas e soluções para este "acordar agitado a maio da noite".

Factos:

- Já não é a primeira vez que a Lara se queixa do ouvido, mesmo não estando com nenhuma constipação ou doente neste momento;

- Apesar de se queixar do ouvido, todo o choro e estado nervoso que vem a seguir parece-nos mais causado por stress do que dores, até porque de um momento para o outro parece que a dor desaparece;

- A Lara tem demonstrado mais ciúmes da irmã nos últimos tempos, pedindo para comer papas, para a ajudarmos a comer, etc.

- Há alguns dias que passou a usar novamente fralda de noite, depois de alguns episódios repetidos de chichi na cama;

- Eu tenho andado mais ansiosa ultimamente e com menos paciência o que resulta em mais ralhetes para a Lara, algumas situações de gritos e reações exageradas.

- Temos pressionado muito a Lara para comer mais depressa e não brincar à mesa (ela pode levar uma hora inteira a tomar o pequeno-almoço ou o jantar).

- Para a convencermos a lavar os dentes e as mãos falamos dos bichinhos invisíveis que causam doenças o que, na cabecinha dela, pode ter proporções e dimensões que não previmos;


A Lara é uma menina muito sensível e reage bastante a tudo o que se passa à sua volta. É muito carinhosa e espera o mesmo de nós por isso a forma como interagimos com ela e como falamos com ela tem muita relevância para a sua disposição.

Creio que em parte, o que aconteceu pode ter sido causado por nós, por andarmos mais nervosos (principalmente eu) e ter, sem querer, passado isso para ela.


O que resolvemos fazer:



- Em primeiro lugar, e já depois dos primeiros episódios de dores a meio da noite, procuramos um médico otorrino. Creio que o mais importante é descartar qualquer possibilidade de qualquer questão física que possa efetivamente estar a causar os incómodos e dores. A Lara, de facto, tem otite serosa o que pode justificar dores ou incómodos no ouvido de noite. Estamos a fazer um tratamento de um mês e vamos reavaliar no médico depois do tratamento.

- Como o episódio mais recente (e as chamadas de atenção que temos notado) não nos parecem ter justificação apenas com a otite serosa, resolvemos alterar algumas coisas nos nossos comportamentos. Passámos a evitar ao máximo pressionar a Lara a toda a hora e não gritamos. Não é que gritássemos antes - pelo menos não era algo frequente - mas agora controlamos-nos ainda mais.

- Quando a Lara demora mais a comer, optamos por a ajudar e dar a comida à boca. Foi uma decisão pensada e que nos parece melhor do que dar-lhe castigos ou insistir com ela de 2 em 2 minutos para se despachar. Isso já nos estava a stressar demais (a nós e a ela).

- Continuamos a ter regras e limites bem definidos. Não gritamos nem pressionamos demais mas as regras continuam as mesmas e são cumpridas da mesma forma. Se a Lara não quer comer o jantar, não come mais nada. Se atira brinquedos ao chão repetidamente, avisamos duas vezes e depois retiramos-lhe o brinquedo. Desenhos animados são apenas nos dias estipulados (nada de desenhos animados a maio da noite como chegámos a colocar). Tem corrido bem. Ela reclama um bocadinho com as consequências mas depois percebe e aceita, até porque explicamos sempre.

- O carinho e a atenção que lhe damos (e à Maria) é a mesma: brincamos com elas todos os dias e damos muito mimo. Digo-lhe todos os dias o quanto gosto dela e o quanto é importante para nós. Isso não mudou porque já era uma constante.

- Faço um esforço consciente para andar calma e mostrar-me sempre calma ao pé das minhas filhas. 

- Passámos a controlar bastante o que dizemos ao pé da Lara (antes não o fazíamos). Não falamos de bichinhos ou micróbios, e não dizemos nada que achemos que a possa assustar ou que ela não consiga compreender muito bem.

- Também temos mais atenção às histórias que lhe contamos antes de dormir. Algumas, apesar de supostamente serem para a sua idade, têm conteúdos capazes de a assustar e causar pesadelos. Nada de seres pouco simpáticos ou personagens com grandes medos.

- Tento encontrar sempre atividades diferentes para fazermos em casa e coisas que possam entreter a Lara e a Maria ao mesmo tempo. Também as deixo procurarem as suas próprias formas de se entreterem sem intervir muito. Julgo que dar-lhes liberdade para fazerem o que lhes apetece (dentro dos limites e regras estabelecidos também é bom para a independência e auto estima delas.



Como estão as coisas:

Bom, desde que aplicámos o que descrevi acima cá em casa (o que foi logo no dia a seguir ao episódio de gritos a meio da noite) que as coisas mudaram imenso.

Pode até ser coincidência mas estou inclinada para acreditar que não.

A Lara não só não voltou a acordar a meio da noite como nunca mais fez chichi na cama (apesar de termos decidido manter a fralda de noite). 

Continua a comer devagar mas sem dramas e sem chatices de maior. Também faço por lhe dar sempre várias opções de pequeno almoço e de jantar (dentro do que é saudável e temos disponível) para ver se a motivo mais a comer sozinha.

Estou mesmo muito satisfeita com os desenvolvimentos desta situação. Sinto-me um pouco mal por perceber que posso ter provocado estes episódios na minha filha mas nisto da maternidade estamos sempre a aprender e atentar fazer melhor a cada dia. Hoje sei mais do que sabia ontem e tenho, certamente, mais condições para ser uma mãe melhor e mais atenta.

Vou continuar a errar sem dúvida nenhuma. E vou continuar a tentar aprender com cada erro a ser uma mãe melhor e mais segura. 

 

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