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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qua | 28.06.17

Ela olha para a sopa como se estivesse a ver unhas de rinoceronte no prato


Já tinha lido e ouvido falar bastante sobre isto. Sobre esta fase (por volta dos 3, 4 anos) em que os miúdos parecem não querer comer nada.

 

A Lara está nessa fase. Ela sempre comeu bem e de tudo. Podia não apreciar especialmente a sopa mas comia-a sem reclamar se tivesse qualquer coisa para lhe dar graça: queijo, massinhas, fruta ou croutons.


Agora nem assim. 


Assim que vê a sopa, abre muito os olhos, faz um ar verdadeiramente horrorizado de quem está a ver um enorme e peludo monstrengo à frente, e começa a gritar: "Não, não, não... Não quero sopaaaaaaaa!". Ela diz "Sopaaaaaaaaaaaa" como se estivesse a olhar para uma coisa francamente desagradável e repelente.

 

Caramba, até fico ofendida. Posso não ser uma pessoa muito vocacionada para a cozinha mas de certeza que as minhas sopas não serão tão más. Ou serão? Bom... perante o nosso argumento de que come a sopa na escola por isso não há razão para não a comer em casa também, ela responde que as sopas da escola são boas. :/


Enfim, até poderia aceitar este desaforo e desistir da sopa se a Lara comesse outras coisas de que sempre gostou como bróculos e peixe. Nem isso ela está a comer bem... Fica a fazer bola na boca e é penoso ficar ali imenso tempo, a insistir com ela para que coma.


Sim, eu sei que não se deve obrigar, não se deve fazer drama, não se deve transformar o acto de comer numa coisa desagradável, cheia de cobranças... mas quem é que pode? Quem é que pode ver o filho a ir para a cama sem comer, sem ter tentado convencê-lo até ao último recurso, a comer pelo menos metade do prato?


Nós. A bem da nossa sanidade mental.


Ontem, depois de dias inteiros nisto e já cansadíssima, fiz o que devia ter feito desde o início: não queres comer, não comas. Na boa. Amigas na mesma. Sem gritos, ameaças ou castigos.

 

"Vai lá ver desenhos animados, ou brincar, ou ouvir uma história, tudo como de costume."

"Vai lá que não se passa nada."  


E assim  foi. Sem dramas, sem castigos, sem consequências.


Evidentemente, sem alternativas ao jantar que foi oferecido (nada de iogurtes, bolachas ou outra comida que não estivesse já feita).


Se alguém estiver a passar pelo mesmo que eu, vale a pena ler  a opinião de especialistas sobre este assunto aqui.


Concordo com o que é dito mas, obviamente, não cumpro tudo milimetricamente.

Vou evitar ao máximo "brigar" com a Lara para comer. Não é que eu brigue para ela comer, brigo quando manda comida  para o chão. Vou, tanto quanto possível, dar-lhe um papel para ela limpar o que sujou (o que ela costuma fazer sem grande alarido), dizer-lhe que não se faz, mas não farei um escândalo.

 

Mas não garanto que, uma vez ou outra, não lhe dê comida à boca. Ainda não percebi bem se o devo fazer ou não. Enfim... fico a aguardar que a resposta me chegue à mente, eventualmente, (chama-se intuição maternal não é?)

 

Também já tentei fazer "arte" com a comida, para ver se ela achava graça e comia aquelas bonitas coisas que eu desenhava no prato.

Mas, lá está, tenho alma de artista independente (só pode ser isso e não falta de habilidade). Só consigo expressar o que me vai na alma. 

De modo que,quando quero fazer um bonequinho simpático e divertido no prato da Lara... o que faço é a própria expressão dela a olhar para a comida. 

 

sopa 7.jpeg

 

 

 

 

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