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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 09.04.20

Estamos a aprender a valorizar o outro como nunca o fizemos

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Todos, sem exceção.

De repente, percebemos o valor dos médicos. Mas não só.

Percebemos o valor de quem transporta as mercadorias, de quem faz a reposição dos supermercados, de quem nos atende numa caixa de supermercado. Percebemos o valor dos agricultores, dos carteiros, dos estafetas, dos operários fabris, dos polícias, dos professores, dos educadores de infância, dos enfermeiros. 

Percebemos que, às vezes, as pessoas que lutam muito por melhores condições de trabalho são aquelas que, com a mesma paixão com que defendem o que julgam valer, valem mesmo tanto. São elas que vão para a linha da frente, talvez com medo, fazer o que tem que ser feito, por todos nós. O meu respeito pelo ser humano cresce a cada dia.

Ignoro o mais possível os que andam a passear na rua como se nada fosse, a acumular-se nos supermercados e a exigir ir de férias quanto antes, e olho para os que se oferecem para ir fazer compras para os mais frágeis, os que doam um pouco do que têm a outros que precisam mais, aqueles que estendem a mão ao próximo seja ele o melhor amigo ou a pessoa que os chateou bastante em diversas ocasiões.

Acho que esta pandemia nos faz valorizar o outro, em geral. Tenho uma vontade imensa de falar com uma série de pessoas que não vejo há anos mas que sinto agora, mais do que nunca, mais próximo de mim, mesmo que nunca tenhamos que conversado umas dezenas de vezes sobre a existência em geral.

Acho que estamos a valorizar as coisas certas. Estamos a deixar ir o acessório e a desenvolver em nós o que mais interessa: a nossa humanidade.

Percebemos que a cultura não é assim tão supérflua e que a alma também precisa de alimento. É nestas alturas que o Raminhos e o Tio Jel nos fazem sorrir de uma forma quase comovente. Nesta altura eles também são os heróis, tal como os músicos, atores, humoristas e todos os artistas profissionais e amadores que doam a sua arte para manter acesos ânimos e esperança. Como aquele pai italiano que toca saxofone à janela, para os vizinhos, acompanhado pela sua filha pequena. 

Tenho escolhido ver os vídeos de pessoas a dançar e a tocar alegremente, no meio da pandemia, mesmo em Roma. Acho que é uma espécie de sobrevivência mental.

Tenho escolhido desviar o olhar do caos e focar-me nos que tentam consertar o caos, de muitas maneiras possíveis. Naqueles que tentam arranjar o mundo para nós e apesar de nós.

Nestes dias sinto que o ser humano é capaz, também, do melhor.




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