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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 17.01.19

Eu tinha tantas certezas antes de ter filhos

Lara e Maria.jpg


Mesmo antes de saber que queria ser mãe, sabia exatamente como deveria ser educada uma criança.

Sabia exatamente o que era e o que não era admissível e que tipo de atitude se devia ter em cada situação.

Agora, que tenho 3 filhos, as minhas certezas anteriores dão-me vontade de rir... e de chorar.

Perdi a conta aos livros que li sobre educação, sobre bebés, crianças, parentalidade, disciplina positiva, birras, alimentação saudável e tantas outras coisas. E continuo a ler. E, ao mesmo tempo, sei que é a intuição e a experiência que me dirão o que fazer em cada dia, em cada caso e em cada momento.

Às vezes, isto da maternidade (principalmente quando somos pais de 3 crianças pequenas e ficamos sem dormir várias noites seguidas) é como levar uma martelada na cabeça e, logo a seguir, fazer as coisas que temos que fazer com o ar mais normal possível. E é maravilhoso assim mesmo. Mas é desafiante. Ninguém se engane.

No meio de tudo, cada vitória tem o sabor de um pequeno euromilhões. Cada vez que a Maria faz 27 birras em vez de 34 sinto-me uma mãe mesmo competente. Ou quando dá um abraço à Lara em vez de 3 pontapés. Ou quando a Lara se senta ao lado do irmão e lhe lê uma história e eu me sinto o supra sumo da maternidade (e se calhar a atitude da Lara depende apenas da sua personalidade e não da educação que lhe damos).

Isto de educar seres humanos é um caminho feito às apalpadelas e com muita cautela. E não há uma receita mágica que resulte com todas as crianças ou com todas as famílias. Todos fazemos o melhor que podemos com o que sabemos e com as circunstâncias que temos. Às vezes corre bem, outras nem tanto.

Na minha opinião, o mais importante é sabermos muito bem quais os valores que queremos mesmo passar aos nossos filhos e trabalhar neles. Não tenhamos ilusões: não vamos fazer dos nossos filhos seres humanos perfeitos e não vamos conseguir passar-lhes 1035 valores. Atentemos naqueles que são mais importantes para nós e resolvamos as coisas à medida que vão aparecendo.

Por aqui é assim que tem resultado.

Sei que trabalho muito no "não materialismo", na partilha, no amor entre irmãos, na importância da família e dos amigos, na empatia e gentileza para com o próximo (embora alguns métodos de auto defesa sejam permitidos, principalmente os que envolverem o diálogo) e na alimentação saudável.

Ficarão mais desleixadas outras coisas como cumprimentar todas as pessoas (tenho mesmo que trabalhar mais nisso), as atividades extra-curriculares, algumas habilidades linguísticas ou matemáticas, entre outras.

As outras questões são trabalhadas à medida que surgem, principalmente com a Lara que já faz muitas perguntas abstratas e que já parece compreender muitas coisas. À noite, quando a vou deitar aproveito para conversar com ela sobre várias questões e noto, com o tempo, que ela compreende e aplica o que lhe digo (desde que tenha sido bem explicado e justificado).

Uma coisa que fazemos muito é falar sobre os sentimentos, pedir desculpa sempre que consideramos pertinente e dar importância ao que cada um diz, validando as suas palavras e os seus sentimentos em relação às coisas e pessoas. Depois, tentamos encontrar soluções para os problemas que vão surgindo, principalmente nas questões entre a Lara e a Maria, que são o que mais nos têm apoquentado (e originado situações de grande risota) cá em casa. 

E é isso minha gente. Educar às vezes é só ir vivendo, com muita calma e muito amor, a vida tal como ela se apresenta.

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