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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qua | 26.07.17

Gritos, gritos e mais gritos

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E eu que pensava que já me tinha safado sem grandes birras (cuspi para o ar aqui) eis que me deparo com um fim de tarde de intensa berraria.

Fomos buscar a Lara e a Maria quase às 19h00. Estávamos cansados, depois de um dia mais chato, e com um humor menos interessante.

Em casa, era preciso fazer uma cama de lavado (Lara tinha feito chichi), arrumar e lavar roupa, cozinhar o jantar, cozinhar o almoço do dia seguinte e fazer papas de aveia para o pequeno-almoço, dar banho e jantar às miúdas e, na loucura, comermos nós qualquer coisa.

Enquanto o Milton tratava da roupa, eu fazia o jantar e dava um lanche tardio às duas. 

A dada altura, a Lara começou a querer brincar connosco e, dado que não nos disponibilizamos para brincar, ela começou a chamar a atenção como qualquer criança de 3 anos faz: executando disparates.
Um deles foi bater com força nas costas da cadeira de refeições da Maria, enquanto lhe estávamos a tentar dar o jantar (com dificuldade uma vez que ela já estava com sono).

Pedi à Lara para parar uma vez, duas vezes… Ela começou a bater com mais força ainda.
À terceira já lhe pedi para parar com um tom de voz mais elevado e praticamente a descabelar-me toda. Ela começou a gritar estridentemente e acompanhei-a para o quarto, onde poderia gritar sem atrofiar a irmã que também já estava a gritar.

Eu e o pai fomos-lhe explicando que tem que fazer o que dizemos, que não pode estar a bater na cadeira da irmã quando ela está a comer e quando lhe pedimos que parasse, blá, blá, blá.

A Lara a gritar cada vez mais.
Nós a dizermos para ficar sentada na cama até se acalmar.
Ela a bater com força na porta do quarto, e a vir ter connosco a gritar.
Nós cheios de nervos a ignorar depois de lhe explicarmos outra vez as coisas, umas vezes mais calmos, outras vezes já a falar alto também.
Ela a gritar ainda mais. Sentada na cama. A gritar só por gritar, a gritar nem sei bem com que objetivo.

Nós a mantermos a calma como podíamos e a dar o jantar à Maria (pelo menos estávamos em casa).

 

Já era tarde por isso assim que se acalmou, a Lara foi lavar os dentes, fazer chichi e cama, sem mais brincadeira e sem história. Explicámos que não estávamos bem dispostos por isso não ia haver história. Gostávamos muito dela, mas não gostávamos daquele comportamento e por isso estávamos tristes e aborrecidos e sem vontade para contar histórias.

 

Falámos com ela calmamente e a Lara estava envergonhada e queria esconder a cara. Não facilitámos e, com toda a calma, explicámos que deve assumir os problemas e enfrentá-los e que não fazia mal sentir-se aborrecida e envergonhada. Que era bom falar connosco e resolver as suas questões com a tranquilidade possível.

Falámos sobre causas e consequências de comportamentos e de como temos a responsabilidade de assumir os resultados dos nossos atos.

Depois correu tudo bem, ela dormiu e nós pudemos fazer o que tínhamos para fazer e ainda descansar um pouco.

Acho que foi a maior birra que a Lara já fez e, de facto, depois dos 3 anos têm-se acentuado.
Não consigo dizer com certeza porque é que isto aconteceu mas tenho a certeza que poderia ter sido evitado ou pelo menos acalmado de forma diferente.


E de quem é a culpa?

Nossa, dos pais, com certeza.

Se sinto culpa? Um bocadinho, mas não muita. Aceito que existem dias melhores e dias menos bons. Sou uma pessoa, que tenta melhorar todos os dias mas que nem sempre consegue dar o seu melhor. Neste dia certamente que não consegui. Todavia refleti sobre o que aconteceu e posso agora verificar a situação de uma forma mais distante e que me permite ver tudo o que podia ter corrido melhor:


Deixo-vos algumas conclusões a que cheguei (algumas são coisas que pratiquei e outras que devia ter praticado):

- Devemos tentar manter sempre a mesma rotina com os miúdos, pelo menos nos dias de semana. Se mexemos na rotina e andamos desorganizados e nervosos, eles sentem e reagem da mesma forma.


- Se não é possível manter a rotina, pelo menos devemos explicar às crianças como vai ser o dia e porquê. É bom que eles saibam o que vai acontecer e o que esperamos deles.

 

- Sempre que eles requisitam a nossa atenção, é bom parar e baixarmo-nos para falar com eles. É melhor falar com eles naquele momento e evitar que chamem a nossa atenção de outras formas, mais tarde.

 

- Se possível e sem tornar isto uma rotina, podemos coloca-los a ver um bocadinho de desenhos animados enquanto nos organizamos. Não é o ideal mas também não é o ideal ficar sem roupa limpa e sem comida.

 

- Se for hora de comer e a comida não estiver feita, dar um lanchinho leve ou uma frutinha, para que não estejam com fome enquanto esperam pelo jantar.

 

- Apesar das birras, tentar não perder a calma. Arrependo-me sempre quando grito. Creio que não faz mal dizer aos nossos filhos que estamos cansados e com dificuldade de concentração. Gritar com eles deve evitar-se ao máximo.

- E, como é evidente, não bater, não chamar nomes e não culpar os nossos filhos por estarem apenas a ser crianças pequenas porque é isso que, efetivamente, são. Estamos ali para lhes indicar caminhos e para os educar, não para os castigar e culpabilizar por estarmos ansiosos, stressados e aborrecidos.
Acho que posso afirmar que chamar nomes ou bater nas minhas filhas é algo que nunca farei, por mais cansada que esteja (nem nos piores momentos me ocorre qualquer uma dessas coisas), mas também não me orgulho nada das vezes em que levanto a voz e me mostro “descabelada”.

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