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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Seg | 02.12.19

Mensagem para mães que sentem "Culpa"

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Nos últimos tempos, tenho sentido uma dificuldade maior em encontrar paciência e sabedoria para gerir as frustrações dos miúdos (e as minhas).

Se consigo ser calma e assertiva durante os primeiros desafios da manhã, as saídas de casa acabam por ser quase sempre num ambiente de “stress” e aborrecimento.

Com isto, umas vezes sinto que devia ralhar menos com os miúdos, outras sinto que devia chamar-lhes mais a atenção para certos comportamentos, outras vezes sinto que devia passar mais tempo com eles, outras vezes sinto que devia passar mais algum tempo de qualidade sozinha, para poder estar melhor comigo mesma e ser, também, uma mãe melhor.

Enfim, a maior parte do tempo sinto-me um hamster a correr na roda e sem saber muito bem que direção tomar.

Não posso dizer que ande assolada com sentimentos de culpa, mas não consigo deixar de pensar que devia fazer uma gestão melhor do tempo e das emoções, para poder ser uma mãe melhor e menos desorientada.

Estava a falar com a minha psicóloga sobre estes meus sentimentos de "culpa" quando ela, muito sabiamente, sugeriu que eu olhasse para as coisas de uma outra perspetiva. Em vez de me fixar no que corria mal, talvez pudesse fixar-me em todas as coisas boas que existiam por minha causa e por decisões e ações minhas.

Veio-me à cabeça, automaticamente, a imagem dos meus filhos a brincarem de manhã, nas mesmas manhãs caóticas e barulhentas de que me queixo tantas vezes.

Numa destas manhãs, a Maria estava tranquilamente sentada na sala a "ler" um livro e a Lara estava a brincar com o Eduardo na cozinha, fazendo-o rir à gargalhada com as suas brincadeiras. Lembro-me de me sentir imensamente feliz enquanto observava os meus filhos e de pensar que tinha mesmo muita sorte! E tenho. Tenho mesmo. Mas, não é apenas sorte.

De certa forma, esta situação teve ações minhas, decisões e um esforço (e não estou a falar apenas do esforço do parto).

Se pensar nisso e no que me cabe de responsabilidade em todas as coisas boas que acontecem, sinto-me muito mais tranquila com a minha pessoa.

 

Nós, mães, deveríamos pensar mais em tudo de bom que existe por nossa causa, em vez de sermos tão autocríticas. 

Olhemos com mais atenção para os sorrisos dos nossos filhos, para todas as oportunidades que eles têm, para os seus amigos, as suas escolas, as suas vidas preenchidas com alegria, alguns desafios e muito amor. Somos, também, responsáveis por isso.

Ver o lado positivo das coisas é uma arte, mas é também uma técnica que se aperfeiçoa a cada dia.

Hoje escolho ver que os meus filhos têm uma infância feliz, com pais que às vezes são bem chatos, mas são presentes, têm irmãos com quem brigam muito e com quem se riem muito também (a Maria e a Lara têm ataques de riso deliciosos). Têm comida, saúde e uma escola onde recebem educação, competências académicas e sociais, e afeto. Têm amigos e muitas pessoas que gostam deles e de quem eles gostam. Vivem num sítio pacífico e bonito.

Os nossos filhos têm muita sorte! E nós também. Somos mesmo boas mães. 

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