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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Ter | 07.12.21

O dia em que a minha filha de sete anos fez o que eu não tive coragem de fazer

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Também poderia ser: "O dia em que a minha filha mais velha me envergonhou". Só que não. 

Tudo começou (ou acabou, conforme o ponto de vista) com um telefonema que recebi da Educadora do Eduardo. Assim que uma Educadora se identifica como tal, fico logo cheia de nervos. Quem é mãe, saberá do que falo. Digo logo, sem cerimónia: "Sim, sim, Diga, diga, por favor."

Querida e perspicaz como é, ou pressentindo o pânico da minha voz, a primeira coisa que a Educadora disse foi que o Eduardo estava bem. Depois, disse que queria falar comigo por causa da Lara, a minha filha mais velha. O pânico voltou.

Então a Educadora disse que a Lara, na sala de estudo, a tinha abordado subtilmente para dizer o seguinte: " Educadora do Eduardo, a minha mãe mandou-me perguntar se a Educadora dá palmadas no Eduardo."



Por breves segundos, a minha mente congelou. Não podia acreditar que a Lara tinha feito isso! Logo ela, tão tímida e tão discreta. 

Como é que eu poderia sair desta situação?!
Bom... da única maneira possível: dizendo a verdade.

Expliquei então à Educadora que, um dia, o Eduardo tinha chegado a casa a dizer que a Educadora lhe dava palmadas. E que eu e o Milton nos questionámos se poderia isso ser verdade, não estando muito motivados para acreditar. Que o Milton até teria dito que não se admirava, visto que o Eduardo pode ser um grande malandro eque deve ser difícil tomar conta de tantos meninos ao mesmo tempo.

Disse que mencionámos esse assunto em casa e que a Lara estava presente, mas não lhe tinha dito para perguntar à Educadora.  Por outro lado, a Lara não costuma mentir, pelo que deve ter havido um problema de comunicação ou algo assim.

A Educadora disse que de forma nenhuma dá palmadas às crianças, que isso está completamente fora de questão e que o Eduardo, por sinal, é um fofo que anda sempre de volta à procura de mimo. 

Eu, claro, disse que nunca tinha acreditado muito nisso mas que, como mãe, tinha necessidade de esclarecer esta questão e que tencionava fazê-lo em alguma reunião presencial e que, pelos vistos, a minha filha se tinha adiantado a mim.

Rimo-nos bastante desta situação.

Gosto muito da Educadora do Eduardo que é carinhosa, atenta, dedicada, muito expressiva, meiga e assertiva na dose certa. Não tenho absolutamente nada a apontar-lhe, muito pelo contrário. Estamos muito felizes e gratos pelo excelente trabalho da Educadora. Mas, já se sabe, uma mãe fica sempre com uma comichão na mente quando um filho refere que leva palmadas na escola. Mesmo que esse filho tenha três anos e seja o primeiro a mentir e a acusar as irmãs, até quando o vejo a fazer asneiras bem à minha frente. 

O facto é que a Lara fez o que não tive coragem de fazer logo às primeiras. Teve a dúvida e perguntou a quem de direito, fazendo o que eu lhe digo para fazer e não o que eu fiz. Achei isto delicioso!

Cheguei a casa e elogiei-lhe a coragem e a frontalidade, mas quando lhe perguntei porque tinha dito que eu lhe tinha pedido para perguntar à Educadora aquilo, ela ficou aflita e disse-me que queria saber, mas tinha vergonha de perguntar diretamente. Então, disse que tinha sido eu a mandá-la perguntar. 

Bom... perdoei-lhe esta pequena inconformidade. Minha rica filha.

E por aí? Os vossos miúdos já vos fizeram destas?



 

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