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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 18.06.15

O dia em que decidimos que queríamos ser campestres

campestres

 

Um dia eu e ele achámos por bem sair do apartamento que alugávamos no centro da cidade e tentar uma vida no campo. Encontrámos uma casinha com vista para o mar, situada numa pequena quinta. O aluguer era barato, a casa era rústica mas aparentemente agradável, e ficava a 30 minutos de carro de Ponta Delgada.

 

Correu tudo muito bem até chegarmos lá. A casa estava toda suja. Não sujidade entranhada de mau uso, sujidade mesmo de anos sem uso, teias de aranha por todo o lado e quilos de pó. Não sei muito bem como conseguimos dormir mas, depois de falarmos com a senhora que geria o sítio, foi lá uma outra senhora limpar a casa. Bem... A coisa começou a parecer-nos estranha logo na altura... A senhora limpou tudo mal e a correr alegando que tinha que ir cozinhar para os patrões, donos das casas da quinta.

 

Outras coisas ocorreram nos dois meses que lá passámos.

 

- Visitas inesperadas e estrambólicas da senhoria, que já com uma certa idade, tentou convencer-nos a pagar mais do que o que estava contratado, alegando que o nome de família do meu namorado indiciava pessoal de carteira recheada. Really?!

 

- Curtos circuitos na cozinha, com direito a faíscas, enquanto "descontraíamos" na sala.

 

- Pedras a rolar a noite toda, numa ribeira ao lado da parede do quarto sempre que chovia.

 

- Ruídos de passinhos no teto do quarto que, em momentos de maior insanidade cheguei a considerar pertencerem a fantasmas ou algo parecido mas, após ponderar um pouco, concluí que só podiam ser causados por simpáticos animaizinhos como ratos ou pombos.

 

- Uma planta de uns 70 cm a crescer no teto da sala, sem que tivéssemos reparado antes (crescia muito rápido, ou estávamos os dois com problemas de visão)

- A maior humidade que já sofri na vida que me fez deitar fora quadros que adorava, roupa e outros objetos que de tanto bolor que ganharam ficaram completamente inutilizáveis.

 

- Ele a dormir, de luvas, cachecol e gorro, por baixo de um edredão de aquecimento super potente, tal era o frio que se fazia sentir ali.

 

Ao fim de dois meses desistimos e pedimos a anulação do contrato por justa causa.

 

Mas foi, muito, muito divertido. Apesar de terrmos passado um mau e gelado bocado ali, guardo muito boas recordações daqueles meses.

 

A arvore de Natal que naquele espaço rústico tinha um ar ainda mais aconchegante e especial.

 

O nosso gato, que fomos buscar naquela altura e se tornou meigo e mansinho aos poucos. Começou por nos observar a medo nas escadas e acabou aninhado em nós no sofá florido da casa.

 

A vista lindíssima para o mar que tinhamos numa pequena varanda ao lado da sala. Aquela era a minha zona preferida da casa e o que me convenceu a ir para lá.

 

Os passeios que fizémos a pé nos arredores, explorando terrenos rurais e piscinas naturais que não sabia que existiam.

 

O pão maravilhoso que se vendia numa padaria ali perto e consta ser o melhor da ilha.

 

As tardes a jogar badminton no meio da sala de teto altíssimo ou lá fora, no imenso espaço da quinta.

 

O caminho de carro de 30 minutos, duas vezes por dia, em que a paisagem campestre e bonita me fazia ter a sensação de estar de férias num sitio desconhecido.

 

Os fins de semana que passávamos sempre fora da cidade, em que iamos ao supermercado local comprar mercearias e muito vinho tinto, para aguentar o frio. :)

 

Foi, de facto, uma esperiência caricata. Agradável. Vá, a não repetir. 

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