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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Qua | 06.11.19

O que eu diria à Carla de há 15 anos atrás

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Uma amiga colocou esta foto no Facebook.

Foi tirada há 15 anos atrás. Tinha 22 anos e andava na universidade. Nesta foto estão alguns dos meus colegas os quais, graças ao Facebook, não me parecem ter a distância dos quilómetros que nos separam.

Não consigo deixar de reparar que, hoje mesmo, vesti uma top igual ao que tenho vestido na foto. Na altura vestia-me quase sempre de preto. Deixei esta cor desde que tive a minha primeira filha. Acho que quis estar mais colorida e leve para os meus filhos.

E o que diria eu à Carla de 22 anos?

Dizia-lhe que estava tudo bem com os seus planos para fazer coisas muito doidas. Que iria concretizá-los magnificamente e que, felizmente, iria encontrar pessoas muito doidas no seu caminho. Que iria aprender com elas coisas fantásticas. E que, sozinha, iria aprender ainda mais.

Dizia-lhe que muitas das suas certezas iriam tornar-se dúvidas e, depois, iriam mudar do avesso. 

Dizia-lhe que, 15 anos depois, ainda estaria a fazer coisas muito doidas. Que ainda estaria a passar noites em branco e a procurar a companhia de pessoas que gostam de filosofar e de pessoas destemidas.

Dizia-lhe também que se deixasse estar, que não pensasse demasiado nas coisas e que não sofresse tanto por não conseguir que as pessoas se comportassem exatamente como esperava. Dizia-lhe que a vida iria ensiná-la a lidar com a frustração de uma forma genial. A vida iria presenteá-la com três pessoas com vontade própria e feitiozinhos peculiares, que a haveriam de fazer dobrar bastante a arrogância e a impaciência.

Dizia-lhe que as conversas que tinha tido com algumas das pessoas que estão nesta foto e outras que não estão aqui, haveriam de ser lembradas muitas vezes e concretizadas outras tantas.

Lembro-me, por exemplo, de ir até ao autocarro com uma amiga e colega de universidade, a Tânia, com quem tinha conversas fantásticas sobre tudo em geral e sobre a existência em particular. Foi graças a ela que conheci Nick Cave e isso é impagável. Na altura, quando imaginavamos o que estariamos a fazer dali a 10 anos, ela dizia-me que confiava muito na sorte e tinha a certeza que estaria bem, fosse como fosse. 

Nunca me esqueci dessa conversa. E, de alguma maneira, interiorizei tanto aquelas palavras, que creio que as adotei para a minha forma de estar na vida. Creio que, de uma forma ou de outra, tudo estará sempre bem.

E tudo está bem. Mesmo. E não é por tudo correr sempre maravilhosamente bem. Nada disso. É mesmo por, na maior parte dos dias, optar por ver o copo meio cheio. É algo que se pratica mas que, a certa altura, se torna um hábito inconsciente.

E quando vemos o copo meio cheio somos mais felizes. Somos mesmo.

Se juntarmos a isso um pouco de paciência e um pouco de dominio dos pensamentos o nosso potencial é ilimitado.

E se, juntarmos a esta mixórdia toda um toque de humor, o resultado é refrescante, inusitado e muito, mas muito, satisfatório. Nada como, quando todos esperam o contrário, entrar num local bem disposta e genuinamente satisfeita. 

Parece tão simples e tão complexo ao mesmo tempo mas é possível. E cómico, vá.


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