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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Sex | 05.06.20

O regresso à creche depois da quarentena

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Ficámos todos em casa durante dois meses. O Milton saía para fazer as compras e mais nada.
Íamos ocasionalmente à varanda comum do prédio, mas a maior parte dos dias era passada no nosso apartamento.

E foi muito bom. Foi ótimo estar 24 horas por dia com os nossos filhos, a conhece-los melhor, a brincar mais com eles e a fazer uma série de coisas que nunca imaginámos possível: trabalhar com os três em casa e, ao mesmo tempo, cozinhar, fazer limpezas e tratar de tudo o que é necessário no dia a dia.

De facto, os pais e as mães conseguem fazer coisas fantásticas! Mas é muito desafiante. Sempre que cedemos um pouco à pressão e a nossa mente se indisciplina um segundo, parece que tudo se transforma num festival de gritos e desordem. Se estamos nervosos as crianças sentem a nossa ansiedade e reagem também com ansiedade.

E imagino como não será com quem tem mais que 3 filhos, os pais que também são professores, profissionais de saúde ou quaisquer outros que se viram obrigados a ir trabalhar fora mesmo em tempos de pandemia.

Por isso eu, que afirmava convincentemente que se pudesse fazer teletrabalho ficaria com os miúdos em casa até setembro, coloquei-os na escola três dias depois da sua abertura. E não senti culpa ou outros constrangimentos. Bem pelo contrário. De facto, soube-me mesmo bem! A mim e ao Milton.

Passo a explicar porquê:

- Em primeiro lugar por nos sentirmos seguros. Só existe um caso ativo de Covid-19 nos Açores e a escola tem mostrado estar a adotar todos os procedimentos de segurança e higiene adequados. Quanto a isto estou totalmente descansada.

- Depois existia a outra preocupação: será que as crianças vão adaptar-se às novas regras? A ver as educadoras de máscara? Será que vão poder brincar com os amigos?
Um dia depois da abertura da escola dos meus filhos eu já tinha visto fotos enviadas pelas educadoras para grupos fechados no Facebook e lido os testemunhos das mães cujos filhos já tinham voltado. Os miúdos estavam bem, tranquilos e muito felizes por voltarem à escola.

- Analisei racionalmente a situação com o Milton e rapidamente percebemos que voltar para a escola seria muito melhor para os nossos filhos do que passar uma grande parte do dia em frente à televisão, para que ambos os pais pudessem fazer teletrabalho.

Conversei com as miúdas e expliquei que iriam voltar para a escola porque era o melhor para todos nós. Tive que explicar bem as razões da mudança de planos porque elas já não contavam voltar este ano letivo. Sublinhei que ia ser muito bom para elas, ia ser fantástico rever os amigos e as professoras e até deixei escapar que a comida da escola estava ainda mais saborosa (de acordo com o testemunho real de um coleguinha da Lara).
Elas perceberam e mostraram-se recetivas à ideia.

E, ontem, lá fomos levar os miúdos à escola pelas 8h30.

O Milton é que os levou: primeiro o Eduardo e depois a Lara e a Maria. Só pode ir um dos pais e eu não estava com coragem nenhuma para ver o Eduardo a chorar e não o trazer de volta para casa. Por isso, antes que desse treta, o Milton tratou desta parte que requer uma mente "menos emotiva".

Voltámos para casa para trabalhar e à tarde fomos buscar os miúdos.

Eles voltaram animadíssimos, mesmo o Eduardo. As miúdas tinham histórias para contar e estavam mesmo contentes por terem passado o dia a fazer coisas diferentes, com pessoas diferentes. 

Fiquei mesmo feliz por ter tomado esta decisão porque a verdade é que pensava que ficar em casa seria o melhor para eles. Enganei-me e estou verdadeiramente feliz por isso!

Os miúdos precisam de conviver com outras crianças, de aprender as matérias escolares com os professores e de ter experiências diferentes das que nós lhes podemos proporcionar neste momento. E a verdade é que as crianças se adaptam muito mais facilmente que nós a mudanças e novidades.

E por aí, como foi o regresso à escola?  

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