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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qua | 05.09.18

Os nossos filhos devem ser felizes o tempo todo?

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Acredito que não.

Todos os pais gostariam que sim, que os seus filhos fossem felizes o tempo todo mas isso não é possível nem sequer desejável.

Acredito que as crianças devem aprender a lidar com a frustração desde cedo para poderem construir uma forma de felicidade futura mais real e mais duradoura.

Se os pais fizerem de tudo para manter as crianças sempre felizes, sem chorar, sem berrar, sem ter frustrações, elas vão crescer sem saber lidar com contrariedades e, quando elas surgirem e não existirem pessoas à volta do nosso filho, já adulto, para lhe fazer as vontades, a frustração pode gerar situações e desequilíbrios muito complexos.

As minhas filhas berram e choram algumas vezes. Encaro isso com normalidade. Às vezes custa-me muito. Outras, nem tanto.

Custou-me muito quando vi a Lara, um dia, mais tristonha no banco da escola. Ela não disse nada de inicio mas percebi que se tinha passado algo. Já em casa, ela disse que a educadora tinha dado um chocolate a uns amigos dela mas se tinha esquecido de lhe dar a ela.

Ela não é grande fã de doces mas adora chocolate e deve ter-se sentido preterida de alguma forma. Não sei o que aconteceu mas também não estou muito preocupada com isso, não me parece grave.

Falei com ela e perguntei-lhe como se sentia e como achava que poderia ter resolvido isso. Ela disse que estava triste e que queria que eu lhe comprasse um chocolate. Não lhe comprei um chocolate nesse dia nem lhe prometi fazê-lo. Sugeri que, da próxima vez falasse com a educadora no assunto e a lembrasse do chocolate. A Lara disse que não o queria fazer. Eu aceitei e disse-lhe que, se ela não dissesse nada, provavelmente não teria o chocolate. Que às vezes as pessoas crescidas também se esquecem de coisas e que não tem mal lembrá-las. Mas que também estava bem ela não dizer nada, não fazia mal. A consequência é que assim não teria o chocolate.

Acredito que a Lara tem que aprender a resolver as suas questões sozinha e que de nada a ajudava eu comprar-lhe um chocolate ou falar com a educadora.

Algum tempo depois, em consequência de uma situação em que ela se comportou muito bem, e sem ter prometido nada antes, ofereci-lhe um ovinho de chocolate.

Gosto de fazer as coisas assim, de surpresa. Gosto que a Lara faça as coisas bem sem ter em vista uma recompensa mas, de vez em quando, gosto de ter um mimo para ela depois de ter feito algo muito bem e resultante de um esforço da sua parte.

Quero que ela aprenda que coisas boas acontecem em consequência das nossas boas ações mas que não devemos agir bem à espera de uma recompensa. É por isso que não lhe prometo coisas, mas elas aparecem de vez em quando.

Não sei se faço bem ou mal. Faço o que sinto ser melhor para ela.

Quero muito que as minhas filhas sejam felizes mas, mais do que uma infância extraordinariamente fácil e feliz, quero que elas tenham boas memórias da infância e as ferramentas necessárias para ultrapassarem as adversidades da vida com coragem, força e resiliência.

Quero que elas saibam que nem todos os dias têm que ser felizes para sermos pessoas felizes e realizadas.

Acredito que elas estão a aprender isso.

Há coisas que as faziam chorar ontem, que já não as fazem chorar hoje. Noto, também, que a Lara já tem mais paciência e já sabe ouvir um não e esperar por alguma coisa que quer muito sem fazer dramas.

Eu não sou a mãe que faz as vontades todas e que nunca repreende os filhos. Sou a mãe que pensa muito no que diz e faz em relação aos filhos tendo em consideração o que eles podem aprender com cada situação para usar no futuro e durante a vida.

Gostava muito de conseguir educar os meus filhos para serem pacientes, empáticos, generosos, lutadores e independentes. E acredito que só consigo isso com muita atenção, tempo dedicado a eles e também limites muito claros e consistentes.

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