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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Ter | 22.03.16

Outra vez o açúcar...

E a Lara fez 2 anos. E (que eu tivesse visto) não comeu doces.Ainda não dou doces à minha filha.Já experimentou gelado, porque eu estava a comer um e ela pediu para experimentar e não gostou.Já comeu uma vez um bocadinho pão de ló (sem creme de ovo) e come bolachas maria.Não lhe dou doces de pastelaria, chocolates ou qualquer coisa que tenha açúcar refinado.No dia de anos dela não comeu bolo de aniversário porque tinha açúcar e creme de ovos.Pressionada por outras pessoas, no dia seguinte, dei-lhe a provar um bocadinho do bolo. Não quis. Reagiu como reage a tudo o que é desconhecido. E é assim que quero que seja com o açúcar durante muito tempo: desconhecido.Eu não critico quem dá doces aos seus filhos pequenos de vez em quando. Não me cabe julgar ninguém porque também não gosto que me julguem. Uma coisa é dar doces todos os dias e outra é deixá-los comer doces numa festa ou uma sobremesa por semana.Todos somos diferentes e cada mãe e pai farão o que consideram melhor para o seu filho. Tudo o que temos que fazer é respeitar a posição dos outros e não contrariar o que os pais decidem ser melhor.Eu optei por adiar o mais que puder a introdução de doces na alimentação da minha filha. É a minha decisão (e do pai) e não defendo que todos tenham que fazer como eu. Longe disso. Defendo apenas que a decisão dos pais deve ser respeitada.Confesso que sinto muitas dificuldades em manter a minha filha longe de doces e manter a minha sanidade mental ao mesmo tempo. Existe toda uma pressão social para lhe dar doces. Sinto-me criticada e julgada constantemente. Não que isso me tire o sono mas já me deixou, algumas vezes, a questionar se o que eu estava a fazer era o mais correto.Isso originou uma renovada série de pesquisas sobre a alimentação infantil e as características do açúcar. E, mais uma vez, a certeza absoluta de que esta era a melhor decisão para mim e para a minha família.O que me chateia mesmo nesta pressão social, é o facto de me colocar a duvidar de mim mesma, ainda que por poucos minutos.É por isso que sinto necessidade de explicar a minha opção.Várias pessoas já me disseram que dava pena ver que a minha filha não comia doces. A mim dá-me muita pena que não me tenham impedido de comer doces quando era pequena.No tempo dos meus pais não se falava dos malefícios do açúcar. Não como agora. Sabia-se que fazia mal aos dentes mas ninguém associava o açúcar a "doenças sérias". De modo que sempre comi muitos doces. Hoje sou uma viciada em açúcar, pre diabética e sofro com isso.Eu sei que comer um doce de vez em quando não vai fazer um mal imediato à minha filha. O que estou a fazer não é a impedir que ela coma este ou aquele doce. Estou a educar o seu paladar, estou a educá-la para se alimentar o melhor possível ao longo da vida. E acredito que isso só será possível se adiar o mais que puder a introdução dos açúcares simples na sua alimentação.Eu sou responsável pela saúde da minha filha.Eu sou esclarecida e sei exatamente o mal que o açúcar faz.Sei que o açúcar é viciante. Sei que quanto mais cedo der açúcar à minha filha mais estou a contribuir para que mais tarde, tal como eu, seja viciada em açúcar e venha a sofrer com isso.Sei que o açúcar provoca doenças silenciosas que são um caso muito sério de saúde pública no mundo.Já todos conhecemos os malefícios do açúcar pelo que não vou estender-me muito sobre isso mas, para quem quiser uma lista detalhada sobre isso pode ver aqui.Robert Lustig, um endocrinologista pediátrico publicou o artigo «A Verdade Tóxica sobre o Açúcar» em que afirma que "o açúcar é tóxico, induz dependência e deve ser visto como um verdadeiro problema de saúde publica. O professor pede a intervenção das autoridades de saúde - defende um controlo sobre a venda idêntico ao que se faz com o álcool, que é proibido a menores de 18 anos - e propõe que os governos taxem os alimentos que tenham açúcar adicionado."Ver mais sobre este assunto aqui.Posto isto:Se de um lado da balança fica a minha aparência social e do outro a saúde da minha filha eu não hesito nem uma vez. Não me importa o que pensem ou digam. Eu sei que estou a fazer o melhor para a minha filha e, da mesma forma que ninguém me vai convencer a dar-lhe um cigarro, ninguém me vai convencer a dar-lhe doces.Se um dia ela quiser fumar, não a vou impedir.Se, conscientemente ela quiser comer doces, não a vou impedir.Dar-lhe um cigarro ou um doce para as mãos ou ver alguém a fazê-lo sem impedir também não vai acontecer.Não lamento.Deixo as minhas respostas para as questões que me colocam ocasionalmente:Mas qual é o mal de lhe dares um doce de vez em quando? Eu não pretendo, simplesmente, proibir a minha filha de comer açúcar, eu quero criar hábitos de alimentação saudável na altura mais importante da sua educação alimentar. Se eu lhe der um doce de vez em quando estou a arruinar isso. Estou a dar-lhe a provar uma coisa que só lhe faz mal, não acrescenta nada à sua saúde e que ela não quer comer por iniciativa própria porque não conhece.Ah mas ela quer provar um docinho, coitadinha. Vejam como ela está a olhar para a mesa dos doces...Ela quer? Ela também gostaria de brincar com facas e não há nada que peça mais do que cerveja, quando o pai está a beber. Devo dar-lhe? Coitadinha, se calhar devo dar-lhe o que ela quer para não ficar traumatizada.Também não podes ser assim tão radical. Não vais conseguir impedir toda a gente de lhe dar doces!Quando se trata da saúde e do bem estar da minha filha não só posso como devo.A saúde e o bem estar da minha filha é a minha responsabilidade (e do pai) e a minha prioridade.Somos nós pais que temos obrigação de procurar informação, junto dos pediatras e outros profissionais de saúde, no melhor interesse dos nossos filhos. É isso que fazemos. É em informação profissional que me baseio para educar a minha filha para uma alimentação saudável.Quem lhe quer dar doces baseia-se em quê? Numa vontade rápida e fácil de agradar à criança e fazer-lhe um agrado? Num prazer efémero que lhe será agradável mas poderá colocar em causa a sua saúde no futuro. Em senso comum. Em hábitos vendidos a uma geração quando os alimentos passaram a ser fabricados tendo em consideração apenas o prazer de comer, o vício e o lucro e não a saúde. Certamente que quem quer dar doces à minha filha não está aconselhado por um profissional de saúde nem num psicólogo infantil.Quem me dera que tivessem tido essa preocupação comigo. Os meus pais têm desculpa porque, na altura, não havia informação.Eu não tenho desculpa. Eu sei que faz mal. Eu sinto isso na pele.A minha obrigação como mãe é proteger a saúde da minha filha e não ceder ao "bem parecer".Um dia, se quiser a minha filha vai comer doces. Simplesmente ainda não chegou a hora. Vou esperar que ela tenha, pelo menos, os dentes todos e me peça para experimentar."Açúcar não é afeto ou amor. Açúcar é açúcar!"

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