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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Sab | 19.05.18

Qual o verdadeiro custo da moda?

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Eu compro roupa como toda a gente. Eu falo de roupa neste espaço, de peças de que gosto, de peças que compro, de promoções que estão a decorrer, entre outros.

Há uns anos, quando vivia em Lisboa e trabalhava no Centro Comercial Colombo, fui uma grande consumista de roupa e sapatos. Tinha acesso rápido às primeiras peças de todas as coleções e todas as semanas comprava alguma coisa. Era raro sair e não sentir uma necessidade enorme de comprar algo novo para vestir. 
Na altura parecia-me algo natural porque as pessoas à minha volta também agiam assim e compravam ainda mais roupa que eu.

O facto é que, apesar de sentir prazer com algumas peças que comprava, havia outras que comprava só por comprar e que mal vestia. Também existiam dias em que desesperava por comprar alguma coisa e sentia-me muito angústiada por não encontrar nada de que gostasse. Sentia verdadeiramente que não poderia sair à noite se não encontrasse nada novo para comprar.

Depois os anos foram passando, deixei de trabalhar no Colombo (o que contruibuiu muito para controlar os meus impetos consumistas) vim viver para os Açores e a minha vida mudou muito.

Depressa ganhei outras prioridades, surgiu a necessidade de ser mais prática e de gerir melhor o dinheiro e, naturalmente, aderi a uma espécie de minimalismo material que me deixa muito confortável e feliz.

Para além desta necessidade prática e muito pessoal de ser minimalista existem motivos de responsabilidade social e ambiental para comprar pouca roupa (e coisas em geral). Esses motivos foram muito reforçados depois de ver o documentário "The True Cost".

Tenho consciência de que alguma da roupa que compro (até pelo baixo preço que tem) não pode derivar senão de mão de obra barata.


Depois de ver o documentário "The True Cost" essa consciência ganhou contornos muito mais nítidos e preocupantes.

O documentário fala-nos do grande impacto humano e ambiental da indústria da moda. Fala-nos de histórias reais, de mulheres reais que são exploradas ao máximo e vivem miseravelmente porque nós alimentamos uma cultura de consumo desenfreado. Porque podemos e queremos comprar muitos vestidos a 10 ou 15 euros ou t-shirts a 5 euros, muitas mulheres trabalham em condições desumanas a 2 dólares por dia. Estou, seguramente, no grupo dos culpados. Não excluo de mim a culpa.

Este projeto, realizado com financiamento coletivo online e filmado em diversos países como Bangladesh, Índia, Peru, China, Camboja, Quénia, deixa-nos a pensar se vale mesmo a pena pagar com um sofrimento imenso e uma degradação enorme do ambiente a fugaz felicidade que uma peça de roupa nova nos traz.

Bom... com certeza não vou começar a vestir-me com folhas de árvores e continuarei a comprar roupa. Nem sequer vou mudar a minha forma de estar e de consumir. Vou passar, sim, a fazer o que já fazia com uma consciência maior da necessidade e mesmo urgência disso.

Continuo a comprar roupa de uma forma consciente e racional. Uso a roupa praticamente até estar inutilizável e o mais certo é voltar a usar os tecidos para fazer roupas de bonecas. 

É raro entrar em lojas em tempo de saldos e mesmo sem ser em saldos, cada vez me passeio menos por lojas preferindo comprar a roupa online (aí sim, espero realmente por saldos e promoções). 

E não é só a indústria da roupa que usa trabalho escravo e outros meios duvidosos e pouco éticos. Por isso, mesmo com o prejuízo da minha carteira mas a pensar também na saúde, compro cada vez menos comida empacotada e mais comida fresca, mais fruta e legumes. Faço cada vez mais bolos, bolachas e iogurtes em casa.

Prefiro comprar comida cara a roupa cara é verdade. Ainda compro roupa barata (embora marcas caras também usem mão de obra muito barata) mas em quantidades que não chegam de maneira nenhuma para sustentar a indústria de "fast fashion". Pelo menos quero acreditar que posso fazer a diferença.


Bom... não vos vou escrever um ensaio sobre o minimalismo - pelo menos hoje -  mas aconselho-vos a ver o documentário "The True Cost". Vale muito a pena perceber a verdadeira dimensão de uma indústria da qual todos fazemos parte e que é responsável por uma boa parte da degradação do planeta e da humanidade. Vale a pena refletir sobre a vida que queremos viver e os valores que queremos passar aos nossos filhos. Vale sobretudo a pena ganhar consciência do impacto que nós, mesmo inconscientemente, temos na vida de milhares de pessoas que pagam os nossos pequenos luxos com o seu sangue e as suas vidas.

Só por existirmos vamos, de uma maneira ou de outra, causar impacto em outros seres, dos quais nunca teremos consciência. Seremos responsáveis por muitas coisas positivas e por outras negativas.

Se conseguirmos ter consciência de algumas das consequências dos nossos atos e agir em relação a isso, já estamos a contribuir, seguramente, para um mundo muito melhor, mais humanista e mais justo.

 

 

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