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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Seg | 15.01.18

Super Nanny Portugal - Vi e gostei

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Assim que ouvi falar deste programa fiquei bastante curiosa. Primeiro pelo tema da "Educação Infantil" que me é muito querido e depois pela polémica que gerou.

No observador diz-se que o programa pode violar os direitos das crianças "designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade”. Menciona-se ainda que o formato apresenta “conteúdo manifestamente contrário ao superior interesse da criança, podendo produzir efeitos nefastos na sua personalidade, imediatos e a prazo“.

Depois de ler algumas coisas sobre o programa, e para falar com algum conhecimento de causa, decidi ver o episódio do programa português e um episódio aleatório do programa brasileiro. Os dois programas retratavam duas famílias bem diferentes que lidavam com o mesmo problema: crianças indisciplinadas e pais que não faziam ideia do que fazer para lidar com essa situação.

Nos dois casos uma especialista ia a casa dos pais convivendo com eles durante alguns dias, ajudando-os a refletir sobre a situação da família e dando-lhes ferramentas para resolver os problemas da forma mais razoável e positiva para pais e filhos.

Sinceramente gostei do programa. Achei-o educativo e bastante útil. Perante a programação televisiva que nos é apresentada todos os dias, este programa pode efetivamente fazer mais pelas pessoas do que queimar-lhes neurónios a uma velocidade alucinante (como fazem outros programas).

Se eu acho bem que mostrem as caras das crianças e exponham a sua intimidade?

Não, mas também não me choca (já chocou mais). Não existem outros programas que o fazem? E o que dizer do trabalho infantil em televisão e publicidade? E os blogues? E o youtube? Qual é verdadeiramente a diferença?

Se eu acho que este programa é a melhor forma de educar famílias?

Claro que não. Mas perante a óbvia realidade de que a maior parte das famílias não tem acesso a um especialista que vá a sua casa ajudar a resolver estes problemas, julgo que temos aqui uma boa forma de ajudar muitas famílias (as dos programas de televisão e muitas outras que assistem ao programa e se deparam com as mesmas questões).

Claro que é um programa que ganha dinheiro com a exploração da intimidade e da imagem das crianças para obter audiências e, consequentemente, dinheiro. É o mundo em que vivemos. Mas se pudermos aliar o interesse das estações televisivas a algo que pode ser bom para a sociedade e famílias, porque não?

Nem estou a insinuar que o programa é perfeito e que o que é ensinado aos pais é o mais correto. Cá em casa não temos bancos para pensar nem sistema de recompensas para bons comportamentos porque não acreditamos nisso. Para outras famílias talvez resulte bem assim. Sempre é melhor que gritos, insultos e palmadas, não? 

Uma coisa é certa: há imensas famílias com problemas de disciplina com as crianças. Estes, são problemas dos pais e nunca das crianças (nenhuma criança se comporta todos os dias de uma forma completamente irregular por culpa sua) e os pais não conseguem ver isso.

Há imensas famílias onde tudo o que se dá a uma criança é comida, cuidados básicos e brinquedos negligenciando completamente o amor, o afeto, o carinho, as regras, a disciplina, a atenção e o diálogo. Já vi famílias em que as crianças são tratadas da mesma forma que um animal doméstico a quem apenas se dá alimento e sítio onde dormir. E eu não acho que isso seja digno para os animais que merecem, também, todo o nosso afeto e atenção. O que dizer das crianças...

E os pais que negligenciam os filhos em cuidados tão básicos como o amor, a atenção e o carinho não fazem ideia nenhuma de que o estão a fazer. Para eles dar comida, cama e roupa lavada já é ser um pai (ou mãe) excelente. Até porque muitos talvez nem isso tenham tido na infância. 

Tenho para mim que os pais que mais precisam de apoio neste campo são os que mais provavelmente poderão estar a assistir televisão num domingo à noite. Então se puderem ver a Super Nanny em vez da Casa dos Segredos (ou outro), parece-me ótimo.

Para algumas pessoas (ou para todas) é muito mais fácil perceber algumas coisas quando elas estão inseridas num contexto real, que possam reconhecer e com o qual se possam identificar, do que ouvindo um especialista a debitar conceitos estranhos sobre educação. "Ah e tal... falar é muito bonito mas na vida real não é bem assim", diriam muitos.
Este programa vem mostrar a vida real com que todos nós de alguma forma nos identificamos, com que tudo o que isso tem de mau e de bom.

Na minha opinião o saldo é positivo. Pior que a exposição das crianças será o facto de continuarem a ter pais que não fazem ideia do que estão a fazer, comprometendo a relação familiar e o futuro das próprias crianças. E são tantas as famílias a precisar de ajuda.

Por isso, mesmo não sendo esta a ajuda ideal e perfeita os pontos positivos são mais que os negativos.


De acordo com o que o programa diz defender:

"Educar é, sobretudo, um ato de amor, é preparar outro ser humano para a vida, dando-lhe ferramentas emocionais que lhe permitam fazer face tanto aos bons, como aos maus momentos que possam surgir. A criança tem de aprender regras, respeitar rotinas, mas também crescer com a certeza de que é muito amada pelas pessoas mais importantes da sua vida - os pais!"

Se conseguirem fazer com que uma boa parte das famílias portuguesas perceba isto, o programa já está a prestar um serviço público excelente.

 

 

 

2 comentários

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    Purpurina 16.01.2018

    Eu fui ver também por causa da polémica toda que se gerou à volta do programa e sinceramente acho que pode ajudar muita gente. Era perfeito que todos pudéssemos contratar especialistas, psicólogos e afins mas isso não é real e as famílias que mais precisam de ajuda são as que menos meios têm de recorrer a ela.
    Concordando-se ou não com os métodos da Nanny (e eu não concordo com alguns) não me venham dizer que são piores ao que se vê em muitas famílias em que não há qualquer tipo de regras ou limites e em que os pais são completamente ausentes.
    No programa brasileiro que vi fiquei chocada com a família. Eram muito jovens, não tinham ideia nenhuma do que fazer e os 3 filhos limitavam-se a andar pela casa de biberão (mesmo com 6 anos), a fazer disparates e a regir com gritos e pontapés a qualquer contrariedade. Com a miúda de 12 anos os pais nem falavam, era como se não existisse. Achei mesmo triste e a Nanny falou-lhe principalmente da necessidade de amor e de afecto numa família, da necessidade de falarem e criarem confiança com os filhos antes que seja tarde demais. Eu acho mesmo que o programa pode ajudar famílias.
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