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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

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Ter | 16.02.16

Um texto do meu primo Daniel

Carla e Daniel

 

 O texto que publico hoje não é meu. É dum primo que nasceu quando eu tinha 15 anos.

 

Lembro-me de andar com ele ao colo, de brincar com ele quando ele era pequeno e de andarmos todos juntos (hoje somos mais de 15, filhos de primos incluídos) a explorar o terreno florestado atrás da casa dos nossos avós em Ansião.

 

Entretanto vim viver para os Açores e encontramos-nos todos com menos regularidade do que gostaria. A última vez que juntámos grande parte da família foi no primeiro aniversário da minha filha Lara, em março do ano passado.

 

Há uns dias, o Daniel enviou-me o texto que segue abaixo.

 

Decidi publica-lo aqui porque escrevia textos de conteúdo semelhante quando tinha a idade dele. Ainda escrevo.

 

Também o publico porque gosto das ideias que contém, da auto-reflexão e da capacidade de englobar nas suas preocupações os sentimentos dos outros. É algo que não se encontra muito hoje em dia.Segue o texto:

 

 

"Hoje deixo aqui um pouco de mim! Sempre vivi bem, sempre tive o que queria, sempre achei que as outras pessoas seriam assim também. No entanto muitas pessoas sentem falta de muitas coisas, coisas essas que as deixam carentes, com medos e fobias. Hoje percebo que era extremamente egoísta, que não percebia como seria difícil sentir tudo isso.

Hoje, que passei por algo muito parecido com isso, que muitas pessoas já teriam passado, aí percebo o quanto estava errado e o quanto errei e o quanto os meus erros prejudicaram as outras pessoas que passavam por isso. O quanto essas pessoas precisaram de mim e eu não liguei nem um pouquinho, o quanto eu fui egoísta! Como tudo isto pode ser possível? Ou até mesmo verdade? Não me vejo assim!

Creio que tudo isto faz parte do ensinamento da vida e que preenche várias páginas de um livro vazio, sem palavras, sem sentimentos, sem nada, só eu e essas páginas, que me deixam num pensamento profundo e me agonia!

Hoje é o dia de pegar nesse livro e o preencher com palavras, sentimentos e tudo mais que possa imaginar. É o dia de recomeçar tendo em mente que o livro jamais se pode tornar num vazio, jamais se pode tonar naquilo que foi. Creio que todos nós passamos por isto, uns de uma forma, outros de outra. Mas a vida é muito mais do que um livro vazio, há muito mais para viver, do que nos fecharmos nesse livro.

Quero também deixar aqui o meu pedido de desculpas a todas essas pessoas que magoei, pela minha falta de carácter.

A vida continua mas não convém deixar estas coisas atormentarem as nossas vidas é por isso que decidi deixar aqui o meu pedido de desculpas. Para que possa recomeçar bem, quero também agradecer a todos os que me ajudaram e me fizeram ver que não estava a ser eu, que me fizeram ver que eu não sou uma pessoa sem carácter, que sou muito mais do que um livro vazio, mas sim um livro cheio de sentimentos e palavras que por vezes me deixa sem jeito e me completa, sendo feliz como sou actualmente. Um Obrigado! Hoje é o dia!" 

 

Daniel Dias Feire

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