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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Sab | 17.11.18

Uma reflexão sobre "subir às àrvores"

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Quando era pequena, pouco mais velha que a Lara, gostava muito de subir às árvores. Tive a sorte de crescer com um grande quintal cheio de árvores de fruto e muito espaço para brincar, saltar e pular. E era isso que fazia, por isso andava suja de terra muitas vezes.


Tinha uma vizinha que tomava conta de mim, como “ama” que, em conversas com outra vizinha, me comparava com a sua neta da mesma idade.

Era dito, à minha frente, que a outra menina era um primor de limpeza e educação, sempre de roupa impecável e modos de mulherzinha. Já eu era uma “maria-rapaz”, sempre as saltos e sempre suja.

Lembro-me de olhar para o chão nessas alturas e de me sentir envergonhada e humilhada, como se existisse algo errado comigo (devia existir para aquelas pessoas adultas dizerem aquelas coisas, afinal os adultos têm sempre razão).


Nós, adultos, somos vistos pelas crianças como seres sábios e perfeitos que não somos. Os miúdos não sabem que os adultos têm ainda menos certezas que elas, têm inseguranças que os fazem agir pior do que deveriam e, muitos, perderam a pureza e a sensibilidade que tinham em crianças.

Façamos então um esforço para sermos melhores para as nossas crianças, para lhes oferecermos liberdade necessária para agirem de acordo com a sua natureza, que é criativa, curiosa e feliz. Não os tentemos moldar completamente aos nossos desejos, ajudemo-los antes a existir na sua forma perfeita de crianças que é maravilhosa e passa tão depressa.

Eles têm tempo de andar aprumados, de deixar de correr e brincar sem vergonha, de pensar sempre no que os outros vão pensar dos seus comportamentos. Eduquemos crianças de acordo com as normas da sociedade em que estamos inseridos, mas nunca com o custo da sua alegria e da sua auto estima.

Num destes fins de semana fui com a Lara a um jardim e, entre várias brincadeiras que fizemos, sugeri à Lara que subisse a uma árvore. Ela adorou, claro. Subiu à àrvore, esteve deitada no tronco, tentou subir de vários sítios e deixou-me ajudar sempre que achei necessário.

Não a deixo subir sozinha ou sem eu estar por perto mas deixo-a subir, brincar, pular e sujar-se (a maior parte das vezes).

Existem alturas em que não a deixo sujar-se ou em que a segurança me parece comprometida e não a deixo saltar e correr mas tento que sejam poucos esses momentos. Policio-me para não a impedir de ser criança.

Uma coisa é certa: tendo uma filha que faz de tudo uma brincadeira e anda sempre a rir e aos saltinhos e outra que é uma verdadeira mini adulta de 2 anos, nunca poderia dizer que o comportamento de uma é mais adequado que o da outra. São as duas maravilhosas como são, exatamente com a personalidade e as diferenças que têm.

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